Cultura

19 de abril: dia do Índio

Dia 19 de abril é dia do Índio e não posso deixar passar batido. Hoje as principais populações indígenas, segundo a FUNAI, são: Tikuna, no Amazonas, Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul e os Kaingang, no Sul do país. Com todo o respeito do mundo, busquei algumas informações sobre cada uma – se ouve falar tanto sobre as Kardashians e tão pouco sobre as tribos do nosso país, acho justo que a gente busque informação.

Tikuna: a história da nossa maior população indígena foi marcada por muita violência na entrada de madeireiros, seringueiros e pescadores na região do rio Solimões. Apenas em 1990 eles conseguiram reconhecimento oficial de todas as sua terras, mas ainda lutam pela sustentabilidade econômica e ambiental. 42 das 59 aldeias Tikunas existentes no Brasil, estão no Amazonas. Há aldeias ainda no Peru e na Colômbia. No lado brasileiro, a língua Tikuna é amplamente falada, são raros os casos em que as famílias não ensinam a língua aos seus filhos desde cedo, no entanto a complexidade é um desafio para alguns Índios que, localizados em sua maioria ao longo do Rio Solimões, migram para Manaus e precisam lidar com o português.

Índios Tikuna em ritual

Índios Tikuna durante ritual

Cada família tem sua roça, nela trabalham todos os integrantes da família. Sobrevivem da pesca e da agricultura… Entre os produtos mais plantados estão a mandioca, a banana, o abacaxi, milho, cana e melancia. O excedente do consumo é comercializado.

Uma das tribos mais ricas culturalmente, o acervo artístico Tikuna conta com máscaras cerimoniais, bastões de dança esculpidos, pintura em entrecascas de árvores, estatuetas zoomorfas, cestaria, cerâmica, tecelagem, colares com figuras esculpidas em tucumã, muita música e muitas histórias literárias. O artesanato em tecelagem conta com o tingimento de corantes obtidos de mais de 15 plantas tintórias.

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Guarani Kaiowá: O modo de ser guarani é sustentado sobre três pilares: o homem e sua fala, seu avô e seus ancestrais míticos comuns e o comportamento social sustentado em arsenal mítico e ideológico. Muito espirituais, os Guarani-Kaiowá são hoje 31.000 índios localizados no Mato Grosso do Sul. É um povo extremamente afetado pela ganância humana, desde 1920 suas terras são desapropriadas para derrubada de matas para implantação de empresas agropecuárias. A partir do final década de 70,  o povo Guarani-Kaiowá passou a resistir mais bravamente às retiradas e vem lutando para conseguir suas terras de volta. Até 2003, 16 territórios foram recuperados. Muito diálogo com o governo federal, muitas lutas e muita briga  judicial está rolando até hoje para que os índios tenham apenas o que lhes é de direito. Eles chegaram muito antes de todos nós e são vítimas da brutalidade da nossa sociedade.

Imagem triste durante a evacuação de uma terra indígena Guarani-Kaiowá para instalação de uma hidrelétrica

Imagem triste durante a evacuação de uma terra indígena Guarani-Kaiowá para instalação de uma hidrelétrica

Os Guaranis-Kaiowá se agrupam por famílias e essa é a estrutura produtiva deles e as tarefas são  dividas por sexo. Homens casam entre os 16 e os 18 anos. As mulheres casam depois da segunda ou terceira menstruação (aproximadamente entre os 14 e 17 anos), na primeira menstruação as meninas têm seus cabelos cortados e ficam resguardadas por semanas. Após o casamento, o novo casal passa a morar na casa do pai da mulher.

É entre os Guaranis-Kaiowá a maior presença de missionários brasileiros. Diversas organizações católicas e evangélicas atuam na área indígena no Mato Grosso do Sul.

Ainda que pratiquem a caça e a pesca, a principal atividade econômica é a agricultura. Milho, mandioca, batata doce, cana-de-açucar, abóbora, arroz, feijão e algumas espécies utilizadas como remédios. O povo Guarani é um povo muito sábio e aplica sua sabedoria para otimizar o uso da terra e dos recursos naturais, conhecem profundamente as sementes, as plantas e suas funções. Os Guarani-Kaiowá sofrem muita influência da tecnologia moderna por terem fácil acesso ao mundo globalizado, mas mantém suas atividades tradicionais.

Kaingang: Divididos entre os estados do RS, SC, PR e SP, são a terceira etnia indígena mais populosas do país e falam uma língua pertencente à família do Jê. É muito comum ver famílias Kaingang habitando zonas urbanas próximas às terras indígenas, o que dificulta um pouco o trabalho do CENSO para mensurar o real tamanho da população. Com um índice migratório elevado, muitos Kaingangs estão trabalhando em fazendas e sítios como trabalhadores altamente qualificados. Dentro da comunidade, há uma hierarquia bem definida: na terra indígena, o cacique toma as decisões externas e o vice-cacique é o responsável por projetos e transferências. Já dentro de cada aldeia há um capitão que cuida da manutenção da ordem e um soldado responsável pelas punições.

O centro da vida ritual entre os Kaingang é ocupado pelo ritual de culto aos mortos. O xamanismo Kaingang é uma relação esteira que os índios estabelecem entre sociedade, natureza e sobrenatureza. O xamã é um mediador que atua nas relações entre o domínio do natural e sobrenatural. É denominado xamã devido a sua reputação especialmente em virtude das suas habilidades de cura e capacidade de ver e saber o conhecimento.

A cultura Kaingang organizou-se sobre uma economia baseada na caça, pesca, coleta e agriultura complementar. Hoje a agricultura é o elemento básico da economia Kaingang.

O grafismo Kaingang é uma manifestação artística muito característica. Os grafismos aparecem em uma grande variedade de suportes como trançados, tecidos, armas, utensílios de cabaça, cerâmica, troncos de pinheiros, etc. e nos corpos dos Kaingang.

Artesanato Kaingang

Artesanato Kaingang

O desrespeito e descaso contra os povos indígenas do Brasil são históricos, muitas etnias já foram dizimadas e muitas aldeias não têm condições sequer de cultivar seus próprios alimentos. Os índios precisam de apoio nas lutas pelos seus direitos. Isso é muito sério!

Aproveitando, eu e o Ju fomos convidados para endossar uma campanha de uma marca de joias pra levantar fundos pra doar alimentos e ajudar no sustento da tribo Guarani-Kaiowá do MS que está em fase crítica e sem condições para sua própria sobrevivência. Eles precisam de ajuda. Quem também puder ajudar com doações, entre em contato pelo e-mail: doacao@carolmacea.com.br – no final do mês de abril a doação será feita.

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Fontes: Povos Indígenas no Brasil | FUNAI

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3 Comentários

  • Responder Tatiane Piva 19 de abril de 2016 at 21:44

    Obrigada por esse post, Monica! Aliás, quero lhe parabenizar por todo o site! Tão cuidadosa, tudo o que você posta, só acrescenta e é de uma profundidade admirável. Admiro você e seu trabalho!

  • Responder Natália Hahn 19 de abril de 2016 at 21:49

    Que legal Mônica! Eu tenho profundo respeito por eles. Aqui em São Leopoldo-RS vendem muito artesanato e ajudo a cadastrar os cães da tribo para castração e cuidados. Parabéns pelo blog! Muito lindo e rico! Beijo na alma, Nati.

  • Responder Elizabete Macedo 20 de abril de 2016 at 13:01

    Mônica, gratidão por uma matéria rica como essa! É um absurdo a maneira como os índios são tratados… Beijos, Beth.

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