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Arquitetura

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A atemporalidade de Paulo Mendes da Rocha

O capixaba Paulo Mendes da Rocha é um arquiteto e urbanista de 87 anos formado pelo Mackenzie e que tem obras super relevantes em seu currículo. A arquitetura, ao meu ver, é uma arte… É um prato cheio para os amantes do design como eu, por isso é inevitável que esse seja um assunto recorrente por aqui.  Em 2006, quando Oscar Niemeyer era o único brasileiro a ter recebido o Pritzker Prize (o Oscar da arquitetura), foi a vez de Mendes da Rocha ser reconhecido com o prêmio máximo da sua área.

Na época, o júri defendeu a premiação alegando que Paulo tem uma grande preocupação em atender as necessidades estéticas e sociais do homem através da arquitetura. Sua especialidade é revitalizar espaços urbanos, lidando com uma extrema responsabilidade sobre os usuários do espaço planejado e sobre a sociedade com um todo.

Paulo Mendes da Rocha

Paulo Mendes da Rocha

A Pinacoteca de São Paulo é um dos meus lugares preferidos na cidade e a intervenção arquitetônica no prédio nos anos 2000, rendeu ao capixaba o prêmio Mies van der Rohe. Quem já foi, entende quando digo que é um dos meus lugares favoritos. É um lugar cuidadosamente desenhado para receber centenas de pessoas diariamente. Com muita luz natural, a Pinacoteca é extremamente aconchegante e fotogênica, impossível entrar lá e não clicar.

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Outra obra muito popular em São Paulo é o Museu Brasileiro da Escultura, o MuBE que fica do lado do MIS. O prédio, em concreto aparente, tem áreas abaixo do nível da calçada, o que proporciona um silêncio atípico na região e um desenho que lembra uma arena. O desenho do MuBE reafirma a especialidade de Mendes da Rocha de desenvolver soluções criativas, mas harmoniosas com a paisagem. Aliás, curiosidade: no MuBE tem um jardim projetado pelo Burle Marx (já falei dele aqui).

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A Praça do Patriarca, no centro histórico de São Paulo, é uma das mais antigas da cidade. Construída em 1912, foi revitalizada anos depois e o pórtico de Mendes da Rocha é parte da revitalização que marcou o centro de São Paulo em 1992.

Portico metalico concebido pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha na Praca Patriarca, em Sao Paulo. O arquiteto foi o vencedor do Prêmio Pritzker 2006, o mais importante da arquitetura mundial. / Patriarca Square, Sao Paulo SP, Brazil. The gateway to Prestes Maia gallery, with a large suspended canopy, by Paulo Mendes da Rocha, a Brazilian architect, honored with the Mies van der Rohe Prize (2000) and the Pritzker Prize (2006)

fonte: argosfoto.com.br

Outros importantes projetos do arquiteto:

Estádio Serra Dourada, cartão postal de Goiania

Estádio Serra Dourada, cartão postal de Goiania

Cais das Artes - Copia

Cais das Artes em Vitória (ES), sua cidade natal

Cias das Artes

Cais das Artes

Paulo é, até hoje, muito procurado para projetos ousados e reformas e revitalizações de obras antigas… Em maio deste ano, aos 87 anos de idade, Paulo recebeu  o prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza pela atemporalidade da sua arquitetura. Mesmo décadas depois de construídos, seus projetos resistem aos avanços do tempo e das tendência. Considerado um profissional desafiador, inconformado, apaixonado e realista, sua visão estética adapta-se a todas as flutuações de tendências. Um visionário arquitetônico que merece todas as honras e méritos.

Arquitetura

Urban Lights de Chris Burden

Chris Burden foi um artista americano amplamente conhecido por suas performances, esculturas e instalações. Morreu ano passado aos 69 anos e acredito que de todas as suas maravilhas feitas em Terra, minha preferida é “Urban Lights”, instalação que está na entrada do LACMA (Los Angeles County Museum of Art). Em 2008 Chris garimpou 202 postes de luz das décadas de 20 e 30 que estavam pelas ruas do Sul da Califórnia. Hoje restauradas, embelezam a entrada do museu e suas luzes alimentadas pelo Sol se acendem ao anoitecer.

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São 17 estilos diferentes de postes que variam de 6 a 9 metros de altura. A forma que os mais de 200 postes formam lembra a dos clássicos templos gregos. Instalado em 2008, Urban Lights já é considerado um símbolo de Los Angeles.

Locação escolhida por muitos noivos para fotos.

Locação escolhida por muitos noivos para fotos.

Nenhum fotógrafo resiste

Nenhum fotógrafo resiste

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Urban Light, Los Angeles County Museum of Art, LACMA

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Esse vídeo dá uma ideia mais completa da beleza que é a entrada do LACMA:

Uma instalação sobre a história da iluminação urbana que entrou pra história das instalações. <3

 

Arquitetura

Os prismas de Tokujin Yoshioka

Tokujin Yoshida é um designer de 49 anos e seu trabalho transcende as barreiras do design de produto, arquitetura, exposições e instalações. Tokujin é um artista. Com nomes de peso no seu portfólio, suas referências já mostram a importância artista dele: marcas como Hermés, BMW, Swarovski, Toyota, Lexus e museus como o Moma, o Pompidou, o Victoria and Albert Museum, Cooper Hewitt National Design Museum e o Vitra Design Museum. Desde que ganhou seu primeiro prêmio de design, em 1997, vem colecionando vários deles. Foi a cadeira de papel “Honey Pop” que fez com que seu trabalho fosse reconhecido no mundo inteiro.

Honey Pop Chair, de 2001

Honey Pop Chair, de 2001

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Tornado: instalação feita com 2 milhões de canudos transparentes

Tornado: instalação feita com 2 milhões de canudos transparentes

Depois de trabalhar por mais de 20 anos na empresa Issey Miyake e realizar grandes e importantes trabalhos, Yoshida abriu seu próprio atelier. Suas criações são enormes e encantam por onde passam, dono de um olhar único, virou referência na sua arte. Um dos projetos  mais impressionantes pra mim é a “rainbow church”, exibida no museu de arte contemporânea de Tóquio. A instalação é o primeiro pra um sonho do artista: uma igreja real construída com base na sua arquitetura. Uma fresta de mais de 9 metros de altura foi preenchida com prismas de cristais nas cores dos arco-íris. O efeito de luz é a coisa mais linda desse mundo!

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Rainbow Church

Crystal Forest pra fachada da Swarovski em Tokyo

Crystal Forest pra fachada da Swarovski em Tokyo

Para Cartier Time Art

Para Cartier Time Art

The Invisibles / Snowflake, 2010 - feito com prismas de plástico

The Invisibles / Snowflake, 2010 – feito com prismas de plástico

Air du temps pra Hermès

Air du temps pra Hermès

Tudo parece enorme e ao mesmo tempo muito delicado. Ele não é o primeiro artista japonês que me impressiona pela complexidade das obras. Os orientais realmente têm algo a mais…

Arquitetura

O legado de Zaha Hadid

Quinta-feira, dia 31 de março, perdemos mais um nome que passou por esse mundo deixando um legado imenso. Zaha Hadid ficou conhecida internacionalmente por projetos ousados e, em grande parte, identificados com a corrente desconstrutivista – uma tendência da arquitetura pós moderna que surgiu a partir dos anos 60, como uma crítica ao excesso de funcionalidade da arquitetura moderna, onde o conceito principal era o de forma e função. No pós modernismo prevalece o impacto visual. Nascida no Iraque e radicada em Londres, na Inglaterra, ela foi a primeira arquiteta a ganhar o prêmio Pritzker, o Oscar da arquitetura, em 2004. Um dos nomes mais celebrados (e polêmicos) da arquitetura contemporânea, Zaha era conhecida antes do prêmio por seus extraordinários esboços/pinturas de projetos nunca executados.

Zaha Hadid

Zaha Hadid

As curvas monumentais, os ângulos dramáticos e o concreto tratado com uma plasticidade hipnotizante, são algumas das características que provam que suas obras eram moldadas pelo contexto em que se apresentavam, e que sua arquitetura era também pensada com uma forma de expressão artística. “Minhas idéias vêm da observação do lugar, da natureza, das pessoas se movendo pela cidade. É sempre como as pessoas se movem pelo espaço, como o público vai usar o espaço”, afirmou a iraquiana. Ciência e natureza sempre foram grandes fontes de inspiração. Hadid pensava sua obra arquitetônica como elemento sensorial, capaz de provocar coreografias espontâneas no público. Preferia sempre desenhar passarelas no lugar de corredores ou escadas. Segundo ela, as pessoas se interessavam por projetos que fizessem a fantasia se tornar realidade. A arquitetura feita poesia.

Separei algumas obras dela pra vocês entenderem o porquê de tanto reconhecimento:

Corpo de Bombeiros Vitra, na Alemanha

Corpo de Bombeiros Vitra, na Alemanha, sua primeira obra com reconhecimento. Construído em 1993, foi o ponto de partida pra conquista do mercado europeu e pra destruição de qualquer barreira geográfica. Seu trabalho alcançou os mais diversos lugares do planeta.

 

Sede da BMW em Leipzig, Alemanha

Sede da BMW em Leipzig, Alemanha

 

Centro Aquático de Londres - para as Olimpíadas de 2012.

Centro Aquático de Londres – para as Olimpíadas de 2012.

 

Centro Cultural Heydar Aliyev no Azerbaijão

Centro Cultural Heydar Aliyev no Azerbaijão

 

Parque Dongdaemun em Seoul

Parque Dongdaemun em Seoul

 

Museu Maxxi em Roma

Museu Maxxi em Roma, que desde a sua construção, se tornou uma espécie de praça, um campus cultural e urbano, ponto de encontro de pessoas de todas as idades. Esse era, para ela, um dos pontos mais empolgantes de sua obra.

 

Bergisel Ski Jump na Áustria

Bergisel Ski Jump na Áustria

Apaixonada pelo design nas suas mais variadas vertentes, desenhou peças de mobiliário, sapatos e jóias. Seu último trabalho foi uma coleção de jóias em prata de lei para a joalheria Georg Jensen, que teve como inspiração o complexo com três torres comerciais localizado no distrito de Wangjing, na China, inaugurado em 2014 e projetado por ela.

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Wangjing Soho

 

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Peças da coleção Georg Jensen + Zaha Hadid

 

Modelo da Zaha para Melissa.

Modelo da Zaha para Melissa.

Ousada, nada convencional, talentosíssima, uma perda para a arquitetura mundial e um orgulho pra nós, mulheres, termos um nome tão forte nos representando de forma tão expressiva em uma área ainda muito masculina. Minha homenagem e meu respeito, Zaha. <3

Arquitetura

Tadao Ando e sua arquitetura autodidata

Tadao Ando é um arquiteto peculiar, a começar pelo fato de que ele nunca se formou numa faculdade de arquitetura. O japonês de Osaka, de 73 anos, é autodidata e antes de se tornar um arquiteto foi caminhoneiro e lutador de boxe. Estudou arquitetura e desenho de interiores por correspondência! É claro que com uma história nada convencional, não podíamos esperar de Tadao um trabalho clichê, né? Em 1969 ele fundou sua própria empresa de arquitetura e ao longo dos anos coleciona prêmios – aqui vale uma ressalva: em 1995 ele recebeu o Prêmio Pritzker (o Oscar dos arquitetos) e doou os cem mil dólares para os órfãos do terremoto de Kobe.

Foi depois de seu primeiro trabalho, um bar de 50 metros quadrados, que ele acreditou ter encontrado um caminho para sua vida profissional. A conquista do primeiro projeto foi intermediada por um amigo dele que estava um pouco preocupado com a falta de trabalho de Tadao. Foi aos 20 anos, após ter acesso ao trabalho de Le Corbusier, mestre da arquitetura contemporânea que se convenceu de que essa era sua vocação.

Naoshima Contemporary Art Museum

Recortes estratégicos para aproveitamento da luz natural, o envolvimento com a natureza, as linhas retas e muito concreto bruto marcam as obras de Tadao, que se propõe a fazer uma arquitetura extremamente sensorial, introspectiva e de uma sutileza sem fim, apoderando-se de poucos elementos de construção.

Os princípios seguidos por Tadao são os da estética wabi-sabi (surgiu no Japão durante o século XVI), que faz uma clara oposição à riqueza e ao luxo emergentes. Está intimamente ligada ao Budismo Zen. Na verdade, wabi sabi é um olhar, uma maneira de “ver”as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade; é aceitar a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. (lindo, né?)

Arquitetura linda, poética, expressiva, inspiradora…obrigada, Tadao!