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Divertida Mente, uma animação sobre a mente humana

Acho impressionante como os estúdios de animação conseguem fazer produções que entretêm crianças e fascinam adultos de formas diferentes. Uma das animações mais recentes que me deixou encantada vou Divertida Mente (ou inside out, tradução literal “de dentro pra fora”). Não sei se todo mundo já viu, mas quem não viu, mesmo que seja resistente aos desenhos animados, recomendo que tire um tempinho pra ver.

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A Pixar teve a grande ideia de personificar as emoções e o filme se passa dentro da cabeça de uma menina (Riley) e os personagens principais são Alegria, Tristeza, Medo, Nojo e Raiva. Quem guia Riley  é a Alegria, a mente da menininha está sempre buscando a Alegria que acaba tomando as rédeas das emoções e balizando as decisões que Riley toma e, consequentemente, está sempre em guerra com as outras emoções, ela é a grande chefe da mente… A que armazena os sonhos e as lembranças. Quando a família de Riley decide se mudar de cidade, a mente e os personagens entram em crise. As memórias ficam armazenadas em espécies de parques que são divididos com nomes como Terra da Bobeira, Terra do Hóquei, Terra da Família e Terra da Amizade. O subconsciente, o esquecimento, o desejo… Tudo ganha forma em Divertida Mente.

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O  filme passeia entre a crise na mente de Riley e os impactos no mundo externo e é interessante ver as emoções que estão por trás de certos comportamentos no mundo real e nas relações com as pessoas próximas. Tudo que acontece na vida dela vira uma memória que é armazenada em traços de uma das emoções. O filme expõe o quanto as coisas que acontecem na nossa infância têm forte influência e impacto na nossa formação psíquica. As experiências mais fortes se transformam em memórias-base e as menos fortes vão para o subconsciente e, ainda que pareça que não, ainda exercem influência sobre as decisões de Riley.

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Riley pequena, o filme acompanha o crescimento dela.

Divertida Mente é um filme sobre como nossa personalidade é traçada na nossa infância, como a distribuição de emoções em nossas memórias impacta nossa formação psíquica e como, às vezes, nos enganamos ao achar que tudo que precisamos é da Alegria. A Tristeza exerce uma função muito importante nas nossas vidas. É através da Tristeza que enxergamos o quanto algumas coisas são valiosas, e através dela que podemos tomar decisões que vão alterar o curso da nossa vida. A gente perde tanto tempo buscando a Alegria que acaba não enxergando as coisas boas que nossos momentos de Tristeza podem nos trazer, Divertida Mente é sobre tomar consciência das nossas emoções.

Um filme muito delicado e muito genial. Divertido pra crianças e impactante para adultos.

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Old Boy – Dias de Vingança

Old Boy é um filme de 2003 de nacionalidade sul-coreana. Baseado no mangá que leva o mesmo nome, foi uma produção que chocou os críticos na época e é, até hoje, um dos filmes que sempre recomendo pra quem ainda não viu. O filme gira em torno de Oh Dae-su que ficou trancado por 15 anos em um quarto de hotel sem entender o porquê e quando sai, está obcecado por vingança.

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Oh Dae-su é casado e é sequestrado no aniversário da sua filha de 3 anos. Ele, que já tinha era conhecido da polícia por beber demais, passa a viver dentro de um quarto com apenas uma televisão e alguns cadernos em branco. Um gás é solto dentro do quarto diariamente no mesmo horário para que ele durma.  Em um dado momento, descobre pela TV que sua mulher foi morta e ele é o principal suspeito do crime. Quando ele é solto, a trama fica desesperadoramente empolgante. Muita luta, algumas pessoas no meio do caminho – inclusive uma chef com quem se envolve e muito sangue marcam essa produção que é impressionante!

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A vingança é o tema central do filme e a temática é tratada de forma muito crua e perturbadora. Ao descobrir quem está por trás do sequestro, é impossível não ficar com os olhos arregalados e soltar uma expressão forte! Tenho medo de falar de filmes e acabar soltando detalhes que são cruciais pra experiência, então não vou me alongar muito. Só posso garantir que é surpreendente! Quem está menos acostumado com cenas de violência em filmes, pode sentir vontade de cobrir os olhos em algumas cenas bem fortes, mas garanto que vale a pena insistir e ver até o fim.

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O filme ganhou uma versão dirigida por Spike Lee em 2013, mas nunca tive interesse em assistir. Recomendo que assistam o original. Old boy é o segundo filme de uma trilogia, mas funciona independentemente. Nunca vi o primeiro (Mr. Vingança) nem o terceiro (Lady Vingança). Se alguém aí não assistiu e for assistir por causa desse post, depois volta pra dividir comigo, combinado?

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Filmes, Meio Ambiente

DiCaprio, o planeta e Cowspiracy

Quem curte minha página no Facebook e perdeu a cerimônia do Oscar, viu que postei o vídeo do discurso do Leonardo DiCaprio ao receber o prêmio de melhor ator (mais que merecido, diga-se de passagem). Ele não usou o fato de que o mundo inteiro estava o assistindo naquele momento pra se promover, ele usou aquele momento de máxima audiência pra apelar: vamos cuidar do nosso planeta! Algumas pessoas menos interessadas e que, de forma ignorante, fazem pouco caso do estado em que estamos deixando nossa casa, acusaram DiCaprio de oportunismo, disseram que era marketing e mais outras coisas que não quis perder meu tempo ouvindo. Prefiro perder meu tempo estendendo o discurso dele e levando alguns dados adiante, dados esses que tomei conhecimento justamente através do próprio Leonardo, indiretamente.

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Leonardo DiCaprio em The Revenant

Bom, ontem dividi o discurso dele e hoje divido com vocês um documentário chamado “Cowspiracy: o segredo da sustentabilidade”, um trocadilho que, em inglês, é algo como “a conspiração da vaca”. A relação entre o doc e o ator? Ele foi produtor executivo da produção de 2014 que funciona como uns tapas na cara de quem assiste. A história começa com Kip Andersen contando como sempre foi uma criança normal, de uma família clichê americana e como sempre amou acampar ao ar livre. Em um dado momento da vida assistiu “uma verdade inconveniente”, documentário do Al Gore sobre sustentabilidade. Kip passou a se preocupar mais com o meio ambiente, separava o lixo, tomava banhos curtos, regulava a água e até adotou a bicicleta como principal meio de transporte. Mas sempre pesquisou muito e desagradavelmente descobriu que a pecuária é a maior causa do aquecimento global.

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A indústria pecuária emite mais gases nocivos à atmosfera que todos os meios de transporte JUNTOS. Ela é responsável por mais da metade do desmatamento da Terra, afinal, é preciso plantar soja e milho pro gado comer. E é preciso espaço pra criar o gado. De todas as atividades da Terra, é a pecuária que mais consome água e ela está colaborando de forma muito ativa para o empobrecimento do nosso solo e para a desertificação do nosso planeta. O planeta está esquentando e nós vamos assistir (sim, nós, não só nossos netos), muitas espécies sendo extintas do planeta. Estamos matando animais, tirando eles de seus habitats, matando predadores pra que a população mundial tenha sua média de 250g de carne no prato DIARIAMENTE.

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O filme e meu post não são sobre parar de comer carne, não é sobre ter pena os animais, sobre como isso nos faz pessoas de péssimo coração ou coisas assim. O assunto principal é a saúde da nossa casa, é a saúde do planeta e é o futuro das próximas gerações. Quando caímos no assunto da pecuária, muita gente acha chato, acha radical, acha desagradável. É desagradável porque mexe na nossa consciência e isso é realmente perturbador. A maior inimiga da sociedade é a falta de informação, é por causa dela que ficamos no piloto automático sem questionar nossos hábitos. Se todos os meios de transportes fossem extintos e a pecuária continuasse, a atmosfera seguiria por mais de 100 anos devastadas, mas se a pecuária fosse extinta, em questão de poucas décadas notaríamos uma melhora significativa.

Consumo de água nos EUA.

Consumo de água nos EUA.

Em Cowspiracy, Kim vai até a sede dos principais órgãos de proteção ambiental para questionar por que a maioria deles jamais toca nesse assunto, já que é impossível que eles não saibam que a maior causa do aquecimento global é uma prática econômica. Bom, eles sabem, mas eles não tocam no assunto. É justamente a indústria de pecuária e laticínios que dão gordos patrocínios, eles que financiam campanhas eleitorais e, infelizmente, é o dinheiro que move o mundo. Sabiam que de todas as “categorias” de pessoas, nos EUA a prioridade de alerta do FBI são os ambientalistas? No Brasil, temos registro de mais de 1.100 ativistas ambientais mortos. Ninguém quer falar sobre o assunto porque falar sobre isso é colocar a corda no pescoço. Não sei se lembram, mas em 2005, a freira Dorothy Stang que morava no Pará e defendia o meio ambiente chamando atenção para os danos da pecuária ao planeta e defendendo cultivos sem que necessariamente significassem desmatamento, foi assassinada com seis tiros às 7:30 da manhã.

150 bilhões galões de gás metano todo dia. (1 galão = 3,79 litros aprox.)

150 bilhões galões de gás metano todo dia. (1 galão = 3,79 litros aprox.)

Eu espero muito que vocês assistam o documentário e tomem conhecimento de alguns dados, nós não podemos seguir na escuridão. Se esses dados mudarem alguma coisa na cabeça de vocês, ótimo! Se não, paciência… Mas não podemos escolher não saber a verdade. Ela está ao nosso alcance. Lembrando que isso não é um pedido pra todo mundo parar de comer carne e nem é também uma forma de condenar os que comem, é só um convite pra pensar e reavaliar nossos hábitos. Se, de 7 vezes na semana, todo mundo conseguisse reduzir o consumo pra 2 ou 3 vezes, uma grande diferença já seria notada. Eles não querem que a gente saiba, mas a gente pode fazer a diferença. Vou dividir algumas das informações que o documentário nos dá:

  • 51% das emissões de gases com efeito estufa tem sua origem na indústria pecuária e seus derivados. Pra quem não consegue imaginar o porquê, pensem em bilhões de bois soltando diariamente gás metano (extremamente nocivo) no ar e soltando seus excrementos diariamente no solo. Sim, as fezes soltam gases na atmosfera e não há sistema de saneamento bovino.
  • 91% do desmatamento da nossa Amazônia é de responsabilidade da agropecuária
  • Mais de 6 milhões de animais são mortos por hora pra que a gente possa se alimentar
  • Uma pessoa vegana economiza, por dia, 1.100l de água, 45kg de cereais, 2,79m² de terrenos florestais, 9kg de CO² e a vida de um animal.
  • Nos EUA, 56% do consumo de água é exclusivamente para o cultivo de alimentos para consumo do gado.
  • Para fazer um único hambúrguer, 660l de água são utilizados. Isso equivale a aproximadamente dois meses de banho de chuveiro.

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O documentário é muito rico em números, dados e pessoas influentes nas causas ambientais. É um choque de realidade, é um convite a pensar e a deixar a ignorância pra trás. Não basta separar o lixo, é preciso ir um pouco mais fundo na mudança de hábitos e isso pode ser um pouco complicado no começo, por isso muita gente evita a verdade, mas é preciso se incomodar com o que está acontecendo. O planeta vai entrar em colapso, a população mundial está aumentando e, se não mudarmos nossos hábitos e diminuirmos o consumo de alimentos provenientes da indústria pecuária e de derivados, não teremos como alimentar todo mundo sem que a gente sinta na pele os impactos dessa cultura.

O documentário está na Netflix pra quem quiser e também aqui. Kim, no fim do documentário, opta por tornar-se vegano, mas se você simplesmente optar por diminuir o consumo, adotar a segunda-feira sem carne e passar a informação adiante, o mundo agradece, o Leonardo DiCaprio agradece e eu também.

Filmes, Meio Ambiente, Moda

The True Cost: o barato que sai caro.

Rafael Benini Volpatto, meu primo, é formado em letras  e devorador de filmes e séries! Confio muito no gosto dele e nas sugestões que ele me dá… Pedi pra que ele falasse sobre algum filme aqui no blog, ele começou com “The True Cost“, um documentário que é um soco no estômago para boa parte da população mundial com o mínimo de bom senso. Me sensibilizei tanto que preciso falar sobre ele…

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Blusinha de R$39, vestido de festa por R$79, tudo tão lindo, tão acessível! Coleção nova quase toda semana, que paraíso! Na contra-mão da alta costura, as redes de fast-fashion estão cada vez mais populares, com preços cada vez menores e novas coleções cada vez mais frequentes. Realmente um paraíso pra nossa natureza capitalista, consumista e pra nossa eterna impressão de que não há nada no guarda-roupa, mas e o que há por trás disso?

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A gente precisa mesmo de uma sacola nova a cada ida ao shopping? A gente precisa mesmo de mil peças de roupa sem qualidade que só fazem volume no armário? A gente está comprando conscientemente ou impulsivamente? É preciso parar pra pensar.

O documentário foi lançado esse ano e já está no Netflix. Como se explicam os preços tão baixos e a velocidade com que novidades aparecem nas prateleiras das grandes redes? O que está por trás dessa cultura tentadora não é nada legal, não é nada humano.

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Condições de trabalhos precárias, jornadas exaustivas, salários mínimos que parecem piada. Aposentadoria? Licença maternidade? Direitos trabalhistas? Sindicatos? Nada disso. Bangladesh, Camboja, India e muitos outros países em desenvolvimento mantém seus trabalhadores em condições nada humanas. Pessoas trabalhando pra ganhar $10 por mês, pessoas morrendo no chão de fábrica pra que a gente possa, semana que vem, comprar mais uma peça que a gente não precisa por uma bagatela.

Isso não é tudo, para produzir tanta roupa, haja algodão. Algodão orgânico é raridade, as plantações não produzem na mesma velocidade que a indústria pede. Por isso, novos químicos e agrotóxicos cada vez mais fortes estão sendo usados na plantações. Produtos tão fortes que causam doenças físicas e mentais em populações de povoados onde o plantio é a principal atividade econômica. Nos preocupamos em não comer pimentões com agrotóxicos, mas vestimos roupas igualmente tóxicas e nosso maior órgão, a pele, está em constante exposição.

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Estou em processo de conscientização já há algum tempo, compro menos roupas, já deixei  até mesmo de entrar em lojas de fast fashion, justamente pra não correr o risco de cair em tentação. Se eu deixar de comprar 4, 5, 6 peças baratas e que não preciso, talvez possa comprar uma única com um corte melhor, de melhor qualidade e produzida em países com leis justas de trabalho. E quanto menos eu compro, menos lixo eu produzo. Uma alternativa que também amo e sou adepta é a de comprar de segunda mão, brechós podem ser um paraíso, cheio de tesouros e de peças praticamente exclusivas! Também raramente perco a oportunidade de ir em um bazar e acho a ideia de outlets muito bacana, não faz sentido que uma peça vire lixo no mundo por causa de um defeito mínimo ou porque é de uma coleção passada…

É uma cultura já consolidada, é difícil mudar, mas é preciso que a gente acredite no poder do indivíduo. Se eu mudar e conseguir ajudar algumas pessoas a repensarem o consumo e essas pessoas tentarem espalhar pros seus conhecidos e seus conhecidos para seus amigos, formamos uma corrente que pode, sim, mudar o mundo!

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Eu quero um mundo mais humano pros meus filhos, um mundo em que se pense nos seres vivos antes das coisas. Quero que meus filhos não sejam contaminados pelo consumismo impulsivo, quero que meus filhos sejam cidadãos conscientes e humanos.

Eu estou tentando mudar o mundo mudando minha consciência. E você?

Obrigada, primo, por essa indicação maravilhosa!