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em Alimentação, Maternidade
21 jun, 2018

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA NA GRAVIDEZ

Quem me acompanha por aqui desde os tempos antigos, já deve estar familiarizado com a Carol Viesi, nossa nutri querida que é colaboradora aqui do site. Fazia algum tempo que ela não aparecia por aqui, mas resolvi chamá-la e reavivar essa nossa parceria deliciosa, pra falar sobre um dos assuntos que recebi como sugestão de pauta de vocês. Eu sou vegetariana a muitos anos e durante a minha gravidez isso não foi diferente. Percebo que esse assunto é um pouco polêmico pra alguns, então pensei que uma especialista poderia nos informar de forma mais completa e com muito mais propriedade sobre esse assunto. Seguem as palavras da Carol:

 

“Que alegria estar de volta por aqui. Ainda mais começando com um assunto tão especial para a Mônica, nessa fase tão linda de sua vida! Gestação, amamentação, introdução alimentar… Quanta coisa boa pra ser compartilhada por aqui. E quando o assunto é “sou mãe vegetariana” muitas dúvidas surgem por aí, não é? Vamos lá!

Quando a mulher descobre que está grávida, um turbilhão de emoções se espalham por todo o corpo. Dentre as infinitas preocupações, tão importante quanto fazer os devidos acompanhamentos médicos, está a alimentação! Para gerar uma vida toda mulher entra em processo máximo de funcionamento do seu metabolismo. Seus hormônios estão a todo vapor, todos os órgãos ficam hiperativados para dar conta não só das necessidades do corpo da mulher, mas para conseguir dar atenção ao novo ser que começa a se desenvolver.

 

Fotos: Pinterest

 

Sempre digo, pois precisamos lembrar as pessoas disso, que para todos os tipos de escolhas alimentares é muito importante entender que a gestação requer cuidados especiais com a alimentação, mas nada de extraordinário pra quem já vive e busca o equilíbrio nesse sentido. A gestante vegetariana, quando bem orientada, pode ter inúmeras vantagens, incluindo o desenvolvimento do seu bebê.

Compartilhando aqui um pouco de informação científica, a American Dietetic Association e a Academy of Nutrition and Dietetics, ambas dos Estados Unidos, publicaram recentemente um artigo, no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, no qual aprovam as dietas vegetarianas e veganas, incluindo durante gravidez e amamentação. “Dietas vegetarianas e veganas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem fornecer benefícios na prevenção e no tratamento de certas doenças. A Academy of Nutrition and Dietetics ainda faz referência a estudos cujos resultados registraram que as voluntárias grávidas e vegetarianas tinham menor sobrepeso ao fim do primeiro trimestre de gravidez e menores complicações, como diabete gestacional.

Nesse período especial, a atenção com os micronutrientes deve ser redobrada, para qualquer mulher. As vitaminas e minerais por serem abundantes nos alimentos de origem vegetal (legumes, verduras, frutas, oleaginosas, leguminosas, etc), base da alimentação vegetariana, quando consumidos harmonicamente e de forma variada são devidamente supridos. Com exceção à vitamina B12 (cobalamina), principalmente para as veganas ou vegetarianas estritas (saiba mais clicando aqui), que deve ser suplementada com orientação!

| As vitaminas e os minerais são essenciais para o desenvolvimento e funcionamento do cérebro e sistema nervoso do bebê, e por não agirem sozinhas dependendo uma das outras, uma dose inadequada de vitaminas isoladas, por exemplo, pode não ter o resultado esperado. |

Acredito que sempre devemos buscar atingir as nossas necessidades através da alimentação, como primeira opção, mas quero deixar claro aqui que é muito natural e necessário um suporte extra com suplementações multivitamínicas e minerais, vitamina D, ômegas, ácido fólico e outros. Isso porque alguns micronutrientes, em especial, são extremamente requisitados para a formação do bebê, sendo que não podemos esquecer que a mamãe também deve permanecer em equilíbrio nutricional, certo?

De maneira geral, as mesmas “regrinhas” funcionam para todas as gestantes: redução de cafeína, álcool e alguns tipos de condimentos; cuidados com alguns tipos de chás (podem ser abortivos); controlar carboidratos simples; evitar e/ou comer fora de casa em lugares confiáveis; preferir alimentos orgânicos, ou seja, sem agrotóxicos; evitar e/ou excluir alimentos industrializados, etc. Abuse do que a natureza oferece em cada estação, deixando o prato sempre colorido, mastigando tranquilamente. Fique atenta aos vegetais verdes escuros, pois são boas fontes de ferro, ácido fólico e cálcio. Lembrando que, a mamãe não deve comer por dois, isso é mito! (risos)

| Dica: consuma diariamente gergelim. Rico em minerais como o manganês, ferro, cobre, fósforo e cálcio (muito mais do que o leite e de ótima biodisponibilidade), além das vitaminas do complexo B e E. Sugestão, consumir 1 colher se sobremesa em forma de tahine natural. |

 

 

Gosto sempre de explicar também que se a gravidez for planejada o casal deve preparar-se para isso mudando a sua rotina alimentar também, equilibrando da melhor maneira possível o seu corpo que é tão sagrado. Quanto melhor estiverem, mais fácil e menos riscos!

Com a Mô esse processo foi muito simples, pois como mencionei, ela já tinha em sua rotina esses cuidados especiais com a alimentação, então, só cuidou dos micronutrientes essenciais, alguns ajustes no planejamento alimentar e poucas suplementações.

Pra finalizar gostaria de dizer a todas as mamães, ou futuras mamães, que o mais importante além de tudo isso é a sua consciência! Quero dizer que acredito que você queira o melhor para os seus filhos, não é mesmo? E isso inclui a maneira como você irá se nutrir durante a gestação, como cuidará de seu corpo como um todo! Viva o que você acredita, escolha sem rótulos o que você acha correto para esse período, pois isso só diz respeito à você e seu bebê. Lembrando também que é muito importante buscar ajuda de um nutricionista para te ajudar com essas mudanças. É muito gratificante!

Espero que gostem,

Carol.”

 

 

Referências:

De bem com a natureza, de Conceição Trucom. Editora Alaúde.

http://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,fim-do-mito-vegetarianismo-ou-veganismo-na-gravidez-fazem-bem-para-mae-e-bebe,70001652095

 

Feliz por te ter de volta por aqui, Carol! Espero que vocês, meus leitores queridos, gostem!

 

Vejo vocês em breve.

 

Com amor, Monica

 

 

 

 

**Sou Carolina F. Viesi, nutricionista, pós graduada em Fitoterapia Funcional, especialista em Nutrição e Alimentação Ayurveda e Personal Diet.
Vegetariana, apaixonada pela culinária intuitiva e por outros caminhos descobertos que enriquecem a minha profissão. Acredito em tudo o que é natural e que me traga de volta a essência.

@carolviesi
nutricarolviesi@gmail.com
Nutrição holística | Culinária intuitiva | Terapias complementares

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em Maternidade
07 jun, 2018

MATERNIDADE E TRATAMENTOS DERMATOLÓGICOS

Meus cuidados com a beleza (cabelo, pele, sobrancelha, make…) são campeões de direct no Instagram. São perguntas/dúvidas sobre os mais diversos tópicos que envolvem o vasto universo da beauté. Entendo que nós mulheres (e hoje em dia, homens também) somos seres vaidosos e nosso rosto – e por consequência nosso corpo – acaba sendo nosso cartão de visitas. Por isso, resolvi chamar minha dermato querida Paola Pomerantzeff pra explicar melhor pra vocês os cuidados permitidos na fase da lactação, que é o que estou vivendo:

 

“Preparei esse texto com carinho para falar dos cuidados que as mulheres podem ter com a pele e os cabelos após a gestação. Dizem que a gravidez deixa a mulher mais bonita, com brilho na pele e cabelos capaz de impressionar qualquer dermatologista. Sabemos que devido as alterações hormonais eles podem ficar maravilhosos. Mas e depois do parto?

E se acontecer o contrário? Afinal cada mulher reage de uma forma e vive de maneira diferente a gravidez. Quais problemas podem ser tratados no pós-parto durante a amamentação? Quais os produtos que podem ser utilizados?

O que ajuda muito na gestação, assim como na vida como um todo, é sem dúvida, a prevenção. As mulheres grávidas que se preocupam com o “pós-parto” e se previnem acabam tendo uma recuperação mais fácil. Mas para todas existem opções e soluções!

A principal mancha que pode aparecer durante a gravidez é o melasma (mancha acastanhada na face conhecida como “mancha da gravidez”). Ela é desencadeada pelos hormônios da gestação e pela luz ultravioleta (sol) e pode ser prevenida através do uso de um bom filtro solar todos os dias e pela privação da exposição solar direta.

Caso a mancha tenha aparecido, não precisa se desesperar! Podemos iniciar seu tratamento com alguns ácidos e clareadores permitidos durante a amamentação, além de antioxidantes tópicos e filtro solar (sempre!!).

 

 

Esses antioxidantes, além de auxiliarem no clareamento das manchas, tratam a pele e previnem o envelhecimento.

Alguns princípios como ácido retinóico não são permitidos durante a amamentação, por isso, procure um dermatologista para orientá-la.

No pós-parto muitas mulheres sentem a mudança do corpo. Celulite e flacidez que antes não existiam podem aparecer e incomodar. Nessa fase, mesmo amamentando, já é possível tratamento com alguns aparelhos e tecnologias associados a drenagens.

Radiofrequência e ultrassom são algumas opções que podem ser utilizados no pós-parto para auxiliar na “recuperação”. A criolipólise só é recomendada na região do abdome 6 meses após o parto.

Bioestimuladores injetáveis que ajudam muito na flacidez não podem ser utilizados durante a amamentação.

Se a flacidez da face também incomodar nessa fase da vida, é possível utilizar aparelhos que são indolores e não necessitam de anestesia como o laser erbium Yag não ablativo. Ele é feito por dentro da boca (na mucosa oral) e estimula a produção de colágeno. Também pode ser aplicado nos lábios para aumento desses com “efeito gloss”, natural, ou mesmo na pele da face para melhora da textura, algumas manchas e linhas de expressão. Sua aplicação é rápida, indolor e sem efeitos adversos no pós-imediato.

Na gestação, devido ao aumento da vascularização, podem surgir vasos na face, e estes, persistirem ou ficarem mais evidentes no pós-parto. Esses vasos podem ser tratados durante a amamentação com a luz intensa pulsada de forma localizada.

Muitas mulheres se queixam de uma pele com menos viço, e com poros dilatados durante a amamentação. Existe um laser que é capaz de induzir a proliferação de fibras colágenas com a melhora da saúde, do brilho e da textura da pele, pelo fechamento dos poros e pela suavização de pequenos vasos da pele.

Esse é o laser ND:Yag. A aplicação é indolor e rápida, e pode ser usado em peles negras sem risco de manchar.

Além de seu efeito na pele, o laser ND:Yag pode ser usado no tratamento de onicomicose (micose na unha). Algumas mulheres amamentando tem onicomicose e somente com tratamento tópico (esmalte), demoram muito para se curar. Esse laser associado ao tratamento tópico acelera o processo de cura.

“Socorro! Eu vou ficar careca! Muito comum ouvir isso no consultório no durante a amamentação. Essa queda abrupta dos cabelos é auto-limitada, ou seja, independente do tratamento ela vai parar. Dura por volta de 4 meses. O nome técnico desta queda de cabelos é eflúvio telógeno.  E apesar de ser “normal” para o período e auto-limitada, eu costumo tratar as minhas pacientes para que o cabelo não fique tão “ralo”.  Mesmo amamentando existem vitaminas, loções e shampoos que podem ser utilizados e ajudam a controlar esse eflúvio mais rapidamente.

E a estrias?! O que fazer se elas persistirem durante a amamentação? Existem alguns peelings como o glicólico que podem ser feitos. Além de lasers como por exemplo o laser erbium Yag não ablativo que é bem tolerável sem anestésico tópico. O anestésico tópico utilizado para os lasers mais “doloridos” não é permitido durante a amamentação.

Portanto, “recém-mães”, podem relaxar e desfrutar de todas as fases da maternidade sem ter que abrir mão da vaidade e sem sentir culpa. Há uma disponibilidade enorme de tratamentos e procedimentos estéticos que podem ser feitos em cada fase com segurança. É importante salientar que cada caso deve ser estudado entre a dermatologista e a paciente a fim de que se opte pelo procedimento/tratamento mais apropriado. Vale lembrar que os resultados são individuais e variáveis.”

 

Claro que cada caso é um caso e cada pessoa tem uma necessidade, por isso esse post é um apanhado de diversos tratamentos possíveis. Cabe a sua dermato decidir o que é melhor pra você. Jamais deixe de consultar um profissional capacitado pra te aconselhar. Pra quem estiver em busca de uma dermato, mega indico a Dra Paola. Ela atende na clínica Hauté, em São Paulo. Para todas os meus leitores (as) que mencionarem o cupom MONICABENINI na recepção da clínica, ganham 5% de desconto nos tratamentos dermatológicos citados pela Dr. Paola neste texto.

 

Bom, é isso! Vejo vocês em breve, com mais posts sobre esse nosso assunto tão amado, rs.

 

Com carinho, Mônica

Fotos: Bruna Marchioro

 

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em Estilo
25 maio, 2018

MODA CONSCIENTE: Closet Cleaning

Eu acredito no poder da moda como forma de expressão… E sei que, vista sob essa ótica, a moda ser torna uma ferramenta importantíssima em nossas aparições por aí. Através do vestir nos relacionamos com o mundo, representamos nossa identidade, nos comunicamos. Além disso, creio que o desejo pelo novo e pelo belo é totalmente humano, inerente à nossa existência.

 

Andamos, porém, em uma engrenagem de moda totalmente doentia. A ascensão de grandes e poderosas fast fashions, aliada a influência que personalidades e influenciadores digitais exercem em nós, trouxeram uma falsa necessidade de consumo. Vivemos na ilusão de que nossa felicidade depende de possuir o que aquela bonitona do Instagram possui. E isso é surreal e DEVE ser analisado de forma bem consciente. É claro que rende assunto pra outro post (quem sabe eu volte pra falar sobre), mas também serve de ponto de partida em nossa auto análise sobre uma forma mais consciente de consumir. Será que a gente realmente precisa daquela bolsa? E daquele casaco? Ou vamos usar nosso suado dinheirinho pra somar essas novas parcelas de falsa felicidade ao que já existe parado em nosso closet?

 

Eu confesso que não tive esse pensamento sempre tão latente em mim, já caí muitas vezes nas infinitas armadilhas que nos bombardeiam a todo instante, estejamos onde estivermos. Mas nos últimos anos o consumo consciente têm sido um dos meus tópicos favoritos. Quero deixar bem claro que não vejo problema algum em consumir, me considero uma pessoa super vaidosa, gosto de moda e sinto prazer em andar por ai bem arrumada… o que defendo é que devemos comprar pensando a longo prazo. Comprar pouco e comprar bem, investir em peças atemporais, que realmente tenham a ver com quem somos e que nos representarão por muitos e muitos anos. Nem consigo explicar a felicidade que sinto ao olhar, por exemplo, pro vestido que comprei quando tinha uns 15 anos e que ainda continua me representando totalmente. Isso é lindo. Roupas não são descartáveis e nunca deverão ser. E você NÃO precisa de roupa nova o tempo todo. Repetir roupa é muito mais chic do que andar por aí parecendo uma vitrine de fast fashion ambulante.

 

 

Foi em meio a todos esses pensamentos que conheci a Deh Martins (quem me segue no Instagram já deve ter visto ela por lá), uma consultora de estilo super defensora do consumo consciente. E aí, a algumas semanas atrás, ela me apresentou o Curso Closet Cleaning, e eu fiquei tão apaixonada pela ideia que, além de compartilhar pelo Instagram, resolvi fazer um post mais completo pra compartilhar com vocês por aqui. Pedi pra Deh explicar melhor sobre o que se trata:

 

” Quando eu conheço o guarda-roupa de uma cliente, eu também conheço um pouco de quem ela é. Acredito muito que nossas roupas sejam o reflexo de quem somos, das nossas histórias e do que acreditamos. Meu terapeuta sempre diz: uma relação só existe se tiver duas partes., senão não é um relacionamento. E o relacionamento com o Closet na maioria das vezes nem existe porque não damos atenção para ele…. por isso em média usamos somente 20% das roupas que temos, o restante, atrapalha 🙁

Nosso guarda-roupa deveria ser tratado como um amigo: dar atenção, carinho, doar tempo para ele, como fazemos com qualquer outro relacionamento. Quando damos atenção a nossas roupas, podemos ver e testas muitas combinações para entender o que falta para combinar com o que temos, e fazermos uma compra planejada. Como Consultora de Imagem não sou contra o consumo mas sou contra a um consumo desnecessário. Até porque todo mundo tem roupa e o consumo desenfreado de moda não é sinônimo de uma pessoa bem vestida. Pense que seu Closet é alguém que você vai ter que se relacionar todos os dias, pois ninguém sai de casa sem roupa. Que tal dar uma chance para as roupas que você já tem? Por que não deixar somente o que você ama, o que faz sentido pra sua vida, o que combina com você?

No Curso Closet Cleaning ajudo você a ter um bom relacionamento com seu closet. Te ensino varias técnicas de combinações e também algumas de desapego para deixar o seu Closet perfeito para a vida que você tem. Assim, quando prestamos atenção ao que falta, conseguimos fazer uma compra consciente e que funcione para o que você já tem. Dê uma chance para as roupas, é um carinho que você faz não só para seu bolso, para o mundo, mas também para você!”

 

 

 

Maravilhosa a ideia, não é? Eu estou praticamente finalizando o curso e já sinto os impactos dele no meu dia a dia. Os looks aí de cima servem bem pra exemplificar como ganhamos um novo olhar sobre nossas roupas (eles foram feitos a partir de uma “tarefa”do curso). Multiplicamos. E passamos a entender que aquela frase “eu não tenho roupa” é, na verdade, algo que colocaram em nossa cabeça.

Bora aprender a pensar diferente? O link pra maiores informações sobre o curso está AQUI… E vamos trocar mais figurinhas a respeito? Me conte se você compartilha dessa mesma forma de pensar? Se você fizer o curso, me deixe saber quais foram as mudanças que você sentiu.

 

Vejo vocês em breve.

 

Com amor, Monica

 

 

 

 

 

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em Maternidade
18 maio, 2018

VIAGEM INTERNACIONAL COM BEBÊ

Em meados de fevereiro, embarcamos pra já falada viagem à Portugal, que originou os dois roteiros sobre viagem postados anteriormente aqui no site. Aquela foi a primeira viagem internacional que fizemos com o Otto e, na ocasião, recebi inúmeras mensagens de vocês pelo Instagram, me perguntando sobre os mais diversos aspectos de uma viagem com bebê. Por isso surgiu a ideia desse post. Resolvi fazer um apanhado das perguntas e responder as principais por aqui. Vamos lá:

 

MALA (o que levei, precisei comprar algo, quantas peças levei…)

 

Eu procuro sempre, na medida do possível, ser uma mãe um pouco mais compacta, seja na hora de comprar coisas pro Otto ou mesmo de fazer a mala dele na hora de viajar. Falo “na medida do possível”, porque bebê sempre requer uma certa quantidade de coisas, né? Tampouco sou a mãe-louca-consumista que sai comprando uma infinidade de roupas por aí, até porque roupas de bebê são usadas por muito pouco tempo e eu não vejo muita necessidade de excesso. Falo tudo isso pra explicar que, pra essa viagem em particular, eu não tinha um grande arsenal de roupas. Lá estava bem frio, enquanto no Brasil era verão. Comprei algumas coisas online e mandei entregar lá e outras a família se encarregou de trazer pro Brasil em uma viagem anterior à nossa, inclusive um sapatinho bem quente (foi a primeira vez que o Otto calçou sapatos, hehehe…). Ah, minha mãe fez um casaco de tricot, tipo sobretudo, bem quentinho pra ele que usamos MUITO, praticamente todo dia.

Procurei montar ,aqui do Brasil, uma mala bem coordenada, onde pudesse combinar várias peças entre si. No início não estava planejando a mala assim e percebi que estava levando mais roupa do que realmente necessitava. Na noite anterior à viagem, decidi abrir a mala e montar os looks pra todos os dias que ficaríamos por lá. Recomendo. A quantidade de roupa reduziu consideravelmente.

Vale frisar que Otto ainda mamava exclusivamente no peito, não comia comidinhas, então o quesito alimentação foi bem prático e não exigiu nenhum aparato extra.

 

NO AVIÃO

 

A viagem pra Portugal foi de mais de nove horas, se levarmos em conta o tempo de check in e a antecedência com que precisamos estar no aeroporto, imagine umas 15 horas, em média. Quando fomos Otto tinha 4 meses e meio e a minha prioridade, em todos os momentos da viagem, desde quando saímos de casa foi o conforto dele. Fui com uma malinha de mão recheada com tudo que eu pudesse precisar… desde roupas, fraldas, itens de higiene, cobertinhas, brinquedos e etc. Estava equipada pra qualquer eventualidade. Inclusive pra decolagem e aterrisagem. Pros bebês pequenos este pode ser um momento bem delicado, pois a pressurização da cabine pode causar dor no ouvido deles… o melhor a fazer é amamentar o bebê nestes momentos ou, até mesmo, dar uma chupeta. O movimento de sucção melhora essa condição. Otto, por exemplo, é um bebê que não usa chupeta e eu cheguei a levar duas opções exclusivamente pro vôo. Nossa experiência foi bem tranquila, Otto mamou no pouso e na decolagem, tanto na ida quanto na volta.

Uma dica legal, disponível em quase todas as companhias aéreas em vôos internacionais, é o berço pro bebê. O que você precisa fazer é solicitar, juntamente com a companhia aérea, alguns dias antes da viagem.  Assim que o avião estabiliza no ar, após a decolagem, eles montam o bercinho pra você. Com bebês pequenos é perfeito. Foi assim que viajamos com o Otto nessa viagem e ele dormiu, praticamente, o vôo todo da ida.

Outra coisa importantíssima… na ida fomos em vôo noturno e foi perfeito, ele dormiu quase o mesmo tanto que dorme em casa. Na volta viemos em vôo diurno e eu achei bem mais complicado. Na próxima viagem não hesitarei em escolher um vôo noturno.

 

ROTINA DE VIAGEM

 

Quando viajamos com bebê pequeno, pelo menos ao meu ver, a prioridade total acaba sendo o ritmo dele. Saíamos de casa sempre em torno de meio dia, foram raras as exceções que saímos mais cedo. De manhã acordávamos com calma, Otto mamava, tomava banho eu vestia ele e depois saíamos.

Alugamos um carro pra todos os dias que ficamos por lá e acho que isso acabou facilitando muito a logística, porque levava comigo tudo que achava que pudesse ser necessário pros cuidados com ele no decorrer do dia. Levei um  carrinho de bebê bem confortável e, portanto, melhor pra andar pelas ruas de paralelepípedo de Portugal (o legal do carrinho é que ele acaba servindo também como apoio pros aparatos da turma toda). Ahhh, e como o clima estava frio e chuvoso, a capinha de chuva pro carrinho foi um item muito utilizado. E, é claro, um sling pros momentos em que desejava mais mobilidade – ou quando queria ficar coladinha nele, e vice versa .

A escolha dos passeios e a quantidade de atividades  no dia também era escolhida em função dele. As sonecas ele fazia no carrinho, no carro ou no meu colo, dependendo de onde estivéssemos no horário da soneca… mas bem sem neuras, fluído. Voltávamos pra casa todo dia em torno de 18:30, a tempo de fazer a rotina de sono dele – a parte da rotina que, de fato, eu sempre julguei mais importante. A verdade é que o fato de ter um bebê no grupo muda muito a dinâmica de uma viagem, portanto é importante que você viagem com pessoas que sejam parceiras nesse sentido… A escolha do “time” é essencial, porque cada um acaba ajudando um pouquinho e no final fica tudo muito mais leve.

 

FRALDAS E TROCAS (usei fraldas de pano? como foi a logística? haviam trocadores nos locais?)

 

Já é sabido, por quem me segue aqui a mais tempo, que eu uso fraldas de pano no Otto. Por diversos motivos, inclusive pelo conforto dele (e a questão ecológica então, nem se fala). Quando estávamos escolhendo um lugar pra nos hospedarmos, eu fiz questão de que tivesse máquina de lavar, porque é assim que eu higienizo as fraldas dele. Nos hospedamos em um apartamento e não em um hotel, então tínhamos todo o conforto de “casa”. Levei o sabão de coco que eu estou acostumada a usar no Brasil na mala e, ao final do dia, lavava as fraldas e as roupinhas dele na máquina. Bem simples e fácil (pras más línguas eu devo dizer que lavar as fraldas de pano do meu filho não me incomoda em nada, muito pelo contrário). Pra armazenar as fraldas sujas durante o passeio, carrego sempre comigo um saco impermeável reutilizável. Estes sacos são bem fáceis de encontrar, todos os sites que vendem fraldas de pano também vendem os sacos impermeáveis.

Pra viagem de avião e pra eventuais dias em que essa logística da fralda de pano não fosse ficar confortável , acabei levando algumas fraldas descartáveis biodegradáveis. Eu comprei as do Otto nos EUA, da marca Andy Pandy e gostei MUITO (a título de informação: as fraldas biodegradáveis levam em torno de 4 anos pra se decompor, enquanto as fraldas descartáveis comuns levam em torno de 500 anos, isso faz com que eu me recuse, de fato, a usar fraldas descartáveis normais)… Mas acho importante frisar que eu uso SOMENTE em emergências. Pra vocês terem idéia, comprei um pacote de fralda de cada tamanho, um small, um large e um extra large (o small o Otto usou até os 5 meses e meio, um só pacote, e nem chegou a acabar… Dei as que sobraram de presente pra uma amiga no seu chá de fraldas), o que possibilitou trazer as fraldas dos EUA. Depois que comprei as fraldas dele, soube que existe uma marca que vende no Brasil, a Herbia, mascomo eu já havia comprado e uso muito pouco, ainda não testei. Se alguém que me lê aqui já tiver usado, me conta o que achou.

Quanto as trocas: alguns lugares disponibilizam trocadores, outros não… e eu não me importo de improvisar lugares. Trocamos fralda com ele dentro do carrinho, no carro, na entrada do museu. É só escolher um lugar mais tranquilo, ser discreto e tá tudo ok! 😉 Acho que o mais importante nesse quesito é não pular as trocas de fraldas simplesmente por não ter um lugar apropriado. Apropriado, ressalto mais uma vez, é o cuidado e a atenção às necessidades do bebê.

*Esse tópico fraldas renderia um post exclusivo… se vcs se interessarem pelo assunto, me contem nos comentários! 😉

 

 

*As fraldas ecológicas nacionais podem ser compradas AQUI. E as importadas pelo Amazon (deixei linkada a pesquisa no Amazon onde aparecem outras marcas, eu indiquei a Andy Pandy porque foi a que testei e deu super certo… se você tiver outra dica deixe aqui nos comentários). E o carrinho AQUI.

*Esse tópico fraldas renderia um post exclusivo… se vcs se interessarem pelo assunto, me deixem saber 🙂

 

AMAMENTAÇÃO (e aceitação da amamentação em público)

 

Na ocasião da viagem Otto estava mamando exclusivamente no peito (hoje em dia ele come frutas, legumes e verduras) e, pra ser bem sincera, a preocupação com a amamentação ser aceita ou não nunca me ocorreu. Não me preocupa, de forma alguma, a aceitação ou não de quem estiver ao meu redor, na verdade acho que seria capaz de peitar qualquer olhar de desaprovação. Minha única e exclusiva preocupação sempre foi a saudável alimentação do meu filho, esteja onde estiver.

 

MÉDICOS/REMÉDIOS

 

Meu único cuidado nesse sentido foi fazer um seguro/plano de saúde pra viagem e ter contato direto com médico/pediatra. Otto nunca tomou remédio algum e eu desejo do fundo do meu coração de mãe (que não lida muito bem com alopatia) que continue assim por muito e muito tempo.

 

AJUDA (levou babá?quem ajudou?)

 

Não levei babá porque nunca tivemos uma. Nessa viagem à Portugal, por exemplo, fomos com meus pais e um super amigo, que nos ajudaram lindamente na função toda, mas já viajamos só eu e meu marido com ele e super rolou… dá trabalho, mas não é nada de outro mundo e tampouco muito diferente do que já estamos acostumados em nossa casa.

 

VIAJAR DE CARRO (Já viajou? Como foi?)

 

Já viajamos algumas vezes, uma delas pra praia, quando Otto estava com dois meses e meio. Foi super tranquilo, mas foi uma viagem de apenas 4 horas e paramos pra ele mamar e trocar fralda. Acho que o principal ponto a ser cuidado em viagens de carro é a duração da viagem, porque em determinado momentos os bebês cansam de ficar no bebê conforto.

 

 

Pesquisando sobre o assunto, encontrei esse apanhado de infos na página Bebê, da Editora Abril, e achei legal compartilhar aqui:

 

-Documentos necessários para levar no vôo:

 

Embarque doméstico: identidade ou certidão de nascimento. Menores de 12 anos devem estar acompanhados de pais ou parentes. Caso viaje com outra pessoa, é necessária uma autorização judicial. 

 

Embarque Internacional: A criança precisa de um passaporte. Se a criança embarcar somente com a mãe é necessário uma autorização do pai reconhecida em cartório. Caso o país de destino exija visto é necessário ter um para a criança também.

 

-Sobre passagem:

 

Conforme informa a Agência Nacional de Aviação Civil, para menores de 2 anos o valor que pode ser cobrado não deve ultrapassar 10% da tarifa do adulto, não são cobradas taxas de embarque. Maiores de 2 anos ocupam assento  e pagam uma taxa estabelecida pela companhia.

 

– Sobre atendimento diferenciado:

Crianças de até 12 anos (de colo ou não), são consideradas passageiras com necessidades especiais e tem preferência no check-in, embarque e assentos. Se você estiver amamentando esta regra também vale.

 

-Sobre vacinação

É necessário levar a carteira de vacinação da criança, caso se necessite checar a vacinação. Alguns países exigem determinadas vacinas pra que você possa ingressar no país. Lembre-se de sempre conferir se existe alguma exigência nesse sentido, quando estiver organizando sua viagem.

Na maioria dos estados brasileiros a vacina contra febre amarela deve ser dada antes da viagem para crianças a partir de 9 meses de idade. Não sendo recomendada a antecipação da vacina.

 

– Sobre alimentação

Não há regulamentação sobre este ponto. Algumas companhias podem oferecer algumas opções, sendo necessário avisar no SAC da companhia com 48h de antecedência do voo. Mas você também pode embarcar com a comida necessária pra alimentar seu bebê durante o vôo.Os alimentos devem ser apresentados no momento do raio X, na mala de mão.

 

Espero que eu tenha respondido todas as perguntas que vocês me deixaram… caso você tenha alguma outra dúvida, não hesite em deixar aqui nos comentários! Vou adorar responder.

 

 

Até semana que vem…

Com amor, Monica

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em Maternidade
03 maio, 2018

MEU RELATO DE PARTO

Sempre acreditei no poder da natureza, no sagrado do feminino, na nossa potência. Não tive dúvidas, após saber que estava grávida, de qual seria a forma que eu gostaria que meu filho viesse ao mundo. Foram 9 meses de um mergulho profundo nessas questões. Eu sabia que essa experiência me transformaria por completo e estava sedenta por viver toda essa transformação da forma mais intensa que pudesse. Não tinha medo, tinha desejo. Desejo de viver, de sentir por inteiro cada uma das dores e das transformações que todo esse processo traria.

Me entreguei por inteiro, permiti que meu corpo se fizesse morada, me conectei dia após dia com a força que é gerar uma vida dentro de si. Me conectei com meu bebê. Nós conversamos, meditamos, dançamos… ele no balanço leve do líquido amniótico e eu no movimento punk que é renascer para tornar-me mãe. Desde essa época que somos um só, falamos a “mesma língua”, existimos num uníssono ímpar e potente.

Eu acredito no tempo das coisas, nos ciclos… e acreditei mais ainda nisso com ele em meu ventre. Respeitei o tempo dele. Hoje em dia, vejo que esse tempo também era o meu. Foi o tempo de 41 semanas exatas no momento em que ele veio ao mundo. 40 semanas e 6 dias quando ele anunciou que viria.

Os primeiros passos da nossa dança aconteceram num sábado nublado, às 6:30 da manhã, dia 30 de setembro de 2017. Acordei com uma dor que se repetiu depois de 4 minutos… e depois de mais 3 minutos e meio, e assim seguiu. Mal podia acreditar que era meu corpo e meu bebê anunciando que estávamos prestes a nos conhecer. E era, realmente era. Avisamos nossa equipe e tomamos um gostoso, feliz e demorado café na cama. Lembro de ter começado o dia meditando, repetindo aquele “mantra” (uma meditação guiada pela voz do amor da minha vida, que foi das ferramentas mais fortes durante meu preparo, na maior parte da gestação). Meditei para me conectar ainda mais com meu bebê e com as contrações poderosas que tomavam conta de mim. Preparamos a casa, preparamos o ninho para a festa que estava por começar.

Digo festa porque, para mim, o nascimento do meu filho sempre foi motivo de comemoração. Flores, balões, velas, música, recados escritos em pedaços de papel, para eu ler durante o trabalho de parto… tatame, piscina, tecido, bola de pilates, todo o arsenal que eu percebi, durante a gestação, que faria sentido estar comigo naquele momento.

O sol foi caindo e seguíamos, eu e meu marido, na nossa cumplicidade mágica. Entre risos e pausas pra deixar vir a dor. Ele, o melhor parceiro que eu poderia pedir aos céus, esteve ao meu lado em todos os momentos da forma mais linda, companheira e presente. Criou comigo uma atmosfera que era só amor.

Às nove horas da noite chegou a primeira pessoa que se juntaria ao nosso time. Nossa doula. As contrações já eram muito doloridas e sempre, desde o início, frequentes. Bola de pilates, massagem na lombar, óleos essenciais. A dor era sempre vocalizada, como um mantra, e me lembrava da força que existia dentro de mim. Meditação, abraços, chuveiro, tatame, rebozo. À medida que a dor ia aumentando, eu ia mergulhando mais e mais no nosso infinito particular. Ali era eu e meu bebê, visitados gentilmente pelo papai. Ao abrir os olhos e sair, por alguns instantes, do nosso mundinho, vi que nossa equipe já estava quase completa. Todos prontos para trazer nosso menino, de forma segura, ao mundo.

Mergulhada na piscina que montamos em meio à sala da nossa casa, percebi que já amanhecia. Já havia se completado quase 24 horas de contrações que iam e vinham, mais vinham do que iam. A dor nesse momento já possuía meu corpo de uma forma inexplicável, mas na mesma intensidade que ela vinha, minha concentração aumentava. Mas eu estava certa do que queria. Eu havia me preparado durante os nove meses para aquele momento. Eu e meu bebê estávamos bem. Naquele instante eu só precisava me conectar com todas as minhas forças internas, me preparar para a fase expulsiva que estava começando.

Nossa maratona estava, por fim, entrando na fase final. Eu estava acompanhada por uma equipe maravilhosa que, em meio aos exames pra checar se tudo corria bem, era só sorrisos. Eram, realmente, momentos de celebração. Me sentia exausta, porém num estado de nirvana inexplicável. Meu sonho de dar à luz ao meu filho em nossa casa estava se realizando de uma forma linda e intensa, como eu jamais pude imaginar.

A fase expulsiva de um trabalho de parto é o momento em que nosso poder feminino se eleva ao máximo, e eu me permiti ser inundada por aquela força. As contrações eram muito, muito, muito intensas, e eu só pensava que, a cada uma delas, nosso bebê estava um pouquinho mais perto de nós. Assim seguiram-se mais 7 horas. As três horas mais intensas de dor do meu trabalho de parto foram lavadas pela água morna que caía do chuveiro. Sentada em uma bola de pilates, eu deixava a água acariciar minha lombar enquanto, em silêncio, exercitava a respiração mais concentrada que já fiz em minha vida. O silêncio, e eu já imaginava isso, foi um santo remédio naquele momento. Eu escolhi passar por esse momento sem absolutamente nada de anestesia ou analgesia porque queria o viver por inteiro, sentia que era capaz e porque todas as minhas escolhas, desde o início, sempre foram pautadas pelo zelo máximo ao meu bebê.

Eu sempre ponderei muito sobre meu parto, sobre como eu gostaria que meu filho chegasse ao mundo e minha maior vontade sempre foi a de me permitir escutar totalmente meu corpo. Assim foi. As últimas contrações foram sentidas em um banquinho, um aparato próprio para partos naturais. E assim, sentada, com meu marido abraçado em minhas costas, pude viver o momento mais inexplicável da minha vida. Entendi o significado do tal círculo de fogo assim que meu bebê coroou. Como dói, queima. E em mais uma contração ele estava em meus, em nossos braços. Eu, completamente exaurida, porém tomada pela melhor sensação desse universo, não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ele nasceu em nosso quarto, em frente à nossa cama, depois de 33 vigorosas horas… e foi para nossa cama que “escorregamos” com o Otto em nossos braços. Permanecemos assim por muito tempo, ele aninhado em meu peito, e o papai, que também acabara de renascer, nos abraçando. Nossa família, forte, unida, exalando amor. E eu inundada por ocitocina. Demoramos quase uma hora para que, então, o papai cortasse o cordão umbilical, mas o cordão que nos uniu (mais ainda) naqueles dois dias jamais será cortado. Eu mal consegui chorar, mas meu peito fervilhava. Já naquele momento entendi perfeitamente que uma nova versão de mim nascera, muito mais forte, confiante e plena. É inacreditável o tamanho da força que brota depois de uma “prova”dessas. Eu serei eternamente grata a mim mesma por ter encarado tudo com tanta vontade e entrega, ao meu marido, por ter elevado a minha força a todo instante, à minha equipe maravilhosa, extremamente competente e sorridente, às nossas famílias, por terem respeitado e acolhido nossas escolhas, e ao meu filho, por ter entrado nessa dança com a coreografia totalmente coordenada à minha. E assim seguiremos. Eternamente.

Fotos: Lela Beltrão

 

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:

– Você tem o direito de escolher a forma de parto que deseja. Veja bem, ESCOLHER. Não ser induzida. E para poder escolher de forma consciente você precisa estar munida de informação de qualidade.

– Informe-se. Questione. Use outras fontes de informação além das que seu médico obstetra fornece. Desconfie. Inclusive do seu médico. Existem médicos e médicos, e nem sempre eles são claros sobre suas intenções e habilidades. Não acredite no primeiro que sair ditando regras.

– Você é muito mais forte do que imagina, e seu corpo SABE PARIR. Não importa se você é alta, baixa, magra, gorda… Se seu corpo gerou o seu bebê dentro de você é porque ele está preparado pra dar à luz. São poucas as situações em que isso não será possível, e uma equipe bem preparada saberá como direcionar a situação com segurança.

– Você pode ter um parto humanizado em hospital, um que te respeite e respeite suas vontades. Sabemos que essa não é uma escolha possível em vários locais e em várias situações, mas procure grupos de apoio ao parto para maiores informações.

– Converse muito com seu parceiro, divida o conhecimento que você vai adquirindo durante a gestação e o convide a participar desse momento com você. O papel da mãe é proteger o seu bebê e o papel do pai é proteger a mãe e o bebê. Uma vez isso entendido, a sua segurança no momento do parto será muito maior.

– Aproprie-se do seu parto, ele diz respeito, antes de mais nada, a você e ao seu bebê.

– Episiotomia não é necessária, a não ser em situações raríssimas.

– Acredite nos benefícios de uma doula durante a sua gestação e seu trabalho de parto.

– Escreva um plano de parto. Ele te ajudará, inclusive, a pensar em tudo que envolve o trabalho de parto e o nascimento do seu bebê.

– Escute seu corpo, conecte-se com você mesma. Você saberá em que posição ficar, como agir, para onde ir.

– Não é necessário exame de toque super frequente durante o trabalho de parto, a não ser que seja da sua vontade.

– O Vernix, a camada branquinha de gordura que envolve a pele do bebê, não precisa ser removido quando ele nasce, muito pelo contrário. Ele funciona como barreira protetora para a pele do bebê. Otto tomou banho a primeira vez depois de 5 dias do parto. O Vernix, naturalmente, foi sendo absorvido pela pele e ele foi ficando limpinho.

– Você pode escolher pingar o colírio no olho do bebê ou não… assim como vários dos outros procedimentos protocolares.

– Confie na amamentação. O começo é realmente difícil, mas, principalmente se você entrar em trabalho de parto, você produzirá leite. Leite suficiente para a demanda do seu bebê. Confie. E se precisar e tiver condições, chame uma consultora de amamentação. Os bancos de leite dos hospitais públicos também oferecem consultoria gratuita de amamentação.

– O principal conselho que eu posso te dar, caso o seu desejo seja partir pra uma forma de parto mais natural é: prepare a sua mente. Nossa mente é poderosa. Eu estava psicologicamente (e mentalmente) muito forte e tenho certeza abbsoluta que isso foi decisivo.

– A pergunta que eu mais escuto, quando toco nesse assunto é “Dói muito?”… e a minha resposta é: DÓI! É das dores mais intensas desse mundo, imagino eu, mas é diferente de qualquer dor que você possa vir a sentir. Diferente porque é o caminho pra ter em seus braços o maior amor da sua vida. É dor com a melhor de todas as recompensas, sabe?

Sobre partos domiciliares:

– O parto domiciliar só acontece se, após inúmeras avaliações, for atestado que tudo está perfeito com você e seu bebê. Se for necessário qualquer intervenção, a equipe é preparada para uma transferência e o resto do seu parto acontecerá no hospital. Tenha um plano B bem-definido.

– Pesquise bem e procure uma equipe (obstetrizes, doulas, médico, pediatra neonatal etc.) na qual você confie profundamente. Isso é essencial para o seu relaxamento.

– Em partos domiciliares não é permitida a aplicação de anestesia. Isso deve ser feito em ambiente hospitalar. Porém, podemos usar vários métodos não farmacológicos para alívio da dor, como eu mesma usei. Meditação (eu pratiquei o Hypnobirthing), massagens, imersão na água, óleos essenciais…

 

Confie na sua equipe, mas confie ainda mais em você.

 

 *Quero lembrar que esse se trata de um relato de parto extremamente pessoal. Não estou ditando regras. Sou partidária do respeito a mulher, da informação de qualidade, da verdade, da responsabilidade com a saúde da mulher e do bebê. Assim teremos finais realmente felizes, seja a história como for.

 

Com muito amor, Mônica.

 

 

 

Fotos: Lela Beltrão

Vídeo: Bia Takata

Obstetrizes/Parteiras: Ana Cris Duarte e Letícia Ventura

Doula: Lúcia Desideri

Pediatra Neo Natal: Dra Renata Carolina Garcia Lamano

Acompanhamento Pré Natal: Dra. Andréa Campos (não acompanha parto domiciliar)

 

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em Maternidade
04 dez, 2017

GESTAÇÃO: TRATAMENTOS “ESTÉTICOS”

O tema beleza é sempre muito aguardado por aqui. Recebo várias mensagens de vcs querendo saber mais sobre meus cuidados, sobre os produtos que uso, sobre minha rotina de beleza e por aí vai. Impressionante como esse assunto nos interessa, né? Eu, particularmente, adoro. Acredito, é claro, que o exterior é um reflexo do nosso interior, porém que mal faz darmos uma mãozinha extra, não é?

Recentemente, fiz um post bem completinho sobre meus cuidados com o corpo e a mente durante a gestação (exercícios e afins). E agora volto pra falar sobre os cuidados “estéticos” que tive durante esse período. Pra mim, essa fase deve ser muito mais de preocupação com a saúde do que com a estética e sempre deve-se tomar escolhas muito conscientes e responsáveis. Por conta disso, procurei pra me acompanhar uma profissional que preenchia todos estes pré requisitos. Coerente, preocupada com saúde e com muita parcimônia quanto aos procedimentos a serem feitos. Percebi a quantidade de questionamentos de vocês quanto ao assunto e resolvi chamar a Dra. Fabíola Fortunatto pra explicar com propriedade sobre os tratamentos e cuidados que tivemos:

 

“A gestação é um período de muitas modificações físicas, emocionais e comportamentais para a mulher. Os tratamentos faciais e corporais devem ser realizados para prevenir as principais alterações da gravidez, como estrias, aumento da celulite, retenção de líquidos, manchas no rosto e dores na coluna. O principal objetivo é prevenir estas alterações e dar condições para esta futura mamãe retornar o mais rápido possível para suas atividades e sentir-se bem, com a auto-estima em alta. Os tratamentos são indicados de acordo com a idade gestacional da futura mamãe com os cosméticos adequados e seguros para a gestante. Na Monica priorizamos usar produtos praticamente sem corantes, sem fragância, com ativos somente para hidratação e prevenção de estrias.

O tratamento que fizemos na Monica leva em média uma hora e meia. Cuidamos da face e do corpo simultaneamente. Iniciamos os tratamentos quando ela estava no quarto mês de gestação. O tratamento corporal que fizemos durante toda a gestação foi a drenagem linfática com compressão de enfaixamento, a Slim Wrap Mommy, que tem como objetivo potencializar e manter os resultados da drenagem. A drenagem é fisiológica e traz bem estar, relaxamento, redução da retenção de líquidos e controle da flacidez. Durante o tratamento, enquanto drenamos a parte inferior e os braços, aplicamos uma hidratação profunda na barriga, com o objetivo de evitar as temidas estrias, tão recorrentes nessa fase. Para a pele do rosto, que nessa fase costuma ficar mais vascularizada e sensível,  o cuidado deve ser redobrado com o uso de cosméticos, já que a pele da gestante fica com a permeação dos ativos aumentada. Fazíamos drenagem linfática com alguns ativos para prevenção de manchas durante a gravidez, aparecimento de acnes e controle da oleosidade.

Gostaria de lembrar que para o tratamento de gestante é importante procurar um profissional especializado, porque existem várias contraindicações de técnicas, equipamentos e, principalmente, de ativos nos cosméticos. É imprescindível a mãe estar com a saúde em dia e a idade gestacional do bebê precisa ser superior a doze semanas. “

 

Se vocês tiverem alguma dúvida ou questionamento em relação a estes tratamentos, deixem aqui nos comentários.

E, pra quem for de SP ou arredores aqui está o link pro site da Dra. Fabíola, nele vocês encontram informações mais detalhadas sobre os tratamentos.

Obrigada pela sua visita! <3

 

Com amor, Monica

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em Maternidade
27 set, 2017

GESTAÇÃO – CUIDANDO DO CORPO E DA MENTE

Na lista – deliciosa! – de sugestões de posts que vocês me enviaram, minha gestação foi um dos tópicos mais pedidos. Sendo assim, decidi preparar uma pequena série de posts sobre os mais diversos assuntos que envolvem essa fase tão maravilhosa.

 

Descobrir-se grávida, provavelmente, é a forma mais rápida de transformação de uma mulher. Para mim, pelo menos, foi assim… Logo que minha gravidez se confirmou, passei a pesar tudo em minha vida, a separar por “prateleiras de relevância” cada uma das coisas que vivia. Depois disso, senti uma profunda necessidade de fazer um mergulho nessa que é a fase mais mágica que já vivi. Não consigo ser ou estar pela metade, sabe? Sentir uma vida sendo gerada dentro de mim me transformou definitivamente, me deixou mais forte (e feliz!). Passei a substituir todas aquelas metas antigas por sentimentos (uma enxurrada deles, pra ser mais precisa). Um mundo novo se descortinou na minha frente, cheio de descobertas e sensações. E a busca pela minha própria verdade se fez mais e mais presente. Me despi pra mim mesma, olhei nos meus próprios olhos e entendi taaanta coisa. É claro que essa é uma tarefa de vida, nosso mergulho interno jamais deve cessar, mas sinto que dei um grande passo nesse caminho. Um passo que não podia alcançar antes de agora, desse momento em que ao mesmo tempo em que me sinto forte, me sinto leve. Sou rocha e sou pluma… Sou morada. Sou dois corações… e pra sempre serei. <3

 

O primeiro post dessa série aborda um assunto que eu julgo essencial… Acredito piamente que um corpo saudável é igual a uma mente saudável. Desde que soube que estava grávida, entendi que as vaidades com o corpo que eu cultivava cederiam espaço pras dores e delícias de fazer do meu corpo morada. Durante esse período, nunca me preocupei com o ganho de peso motivado por estética, muito menos se apareceriam celulites novas, ou se, após ter o bebê, meu corpo demoraria pra voltar ao normal. Afinal, uma gravidez deixa marcas em uma mulher: no corpo e na alma. De qualquer forma, eu já não era e não seria mais a mesma (e que sorte a minha!). Minha preocupação sempre foi a de me manter o mais cheia de saúde possível, pra poder passar essa vitalidade toda pro meu bebê. Sou uma pessoa ativa, gosto de me exercitar e sei que os períodos da vida em que mantive uma boa rotina de exercícios foram os de mais qualidade de vida, no sentido mais amplo da palavra.

 

Foto: Rafael Fontana

 

É um bom momento para escrever esse texto. Estou no finalzinho da minha gestação e tenho muita alegria em poder confirmar isso tudo. Senti pouquíssimas dores nas costas, não me senti pesada ou desconfortável e nem tampouco inchada. Entendo que cada corpo é um corpo, e que cada um de nós tem sua própria carga genética. Não quero semear a ideia de que exista uma receita de uma gestação ideal e perfeita. Ao contrário, quero dizer que o importante mesmo é respeitarmos as nossas diferenças, nosso ritmo de vida, nossas possibilidades, e, principalmente, nosso corpo. Escutar o que nosso corpo nos diz nessa fase é mágico. Mergulhar pra dentro de si, intensificar a conexão com o bebê e entender, de verdade, o que faz mais sentido é essencial. Eu me respeitei, entendi minha disposição e minhas vontades e quero compartilhar com vocês o que deu certo para mim. Esse é um relato super pessoal, que divido com carinho com vocês, minhas leitoras. Não preciso dizer da importância de seguir as orientações médicas e profissionais, né?

 

Durante o primeiro trimestre de gestação eu me senti muito sonolenta, praticamente não senti enjoo – Obrigadaaaaa, universo! – mas, em compensação, o sono era como se tivesse acumulado cinco anos sem dormir, sem exagero (rs). Neste período, somente pratiquei caminhadas leves e agradáveis. Passado o primeiro trimestre, comprovei o que eu escutava as pessoas falarem, porém sempre duvidava: fui tomada por uma onda de disposição e resolvi me jogar de cabeça nos exercícios que, a meu ver, combinavam muito com este momento da vida: yoga, hidroginástica e Pilates. A combinação dos três foi como uma enxurrada de coisas boas para o meu corpo e para minha mente. Vou fazer uma explicação breve de cada um deles, para que vocês entendam melhor:

YOGA – eu pratiquei um yoga específico de preparação para o parto e foi uma experiência maravilhosa. Segundo as palavras da minha professora: “Vivenciar o yoga para o parto, durante a gestação, oferece à mulher um mergulho no gestar e no contato com o bebê dentro da barriga, ampliando a consciência de tudo que significa gerar uma vida dentro de si mesma. Essa prática naturalmente conduz a mulher para a autonomia a partir da consciência corporal e intimidade com o seu próprio corpo. No final da gestação, o companheiro é convidado a participar, contribuindo com sua força física e amorosa, e sintonizando o casal para receber o ser que vai chegar.”.

PILATES – O Pilates é um método de atividade física que visa trabalhar corpo e mente. Tem como princípios a concentração, centralização, respiração, fluidez, precisão e controle. Ele fortalece a musculatura à base de muita consciência corporal e controle da respiração, o que facilita muito a adaptação do corpo às mudanças que a gravidez traz.

HIDROGINÁSTICA – Fiz aula especial para gestantes e, mesmo não apostando muito na hidro de antemão, me surpreendi. É totalmente indicada para gestantes por tratar-se de uma atividade física com intensidade moderada. Além disso, a flutuação na água ajuda a aliviar o peso extra da gestação e a diminuir o impacto dos movimentos sobre as articulações do corpo. Ela também contribui enormemente para a boa circulação, relaxamento e fortalecimento muscular.

Durante o segundo trimestre e a maior parte do terceiro, pratiquei cada uma dessas atividades físicas duas vezes por semana. E cá estou, praticamente sem dor, com o corpo totalmente fortalecido, consciente de que fiz boas escolhas de exercícios. No final do terceiro trimestre, dei uma desacelerada gradual, atenta às vontades do meu corpo. Claro que, como disse no início do post, minha intenção não é mostrar um ideal, mas o que funcionou para mim. Sempre fui muito ativa e isso contribuiu muito para esse ritmo de exercícios. Entendo que nem todo mundo tem a mesma possibilidade e disponibilidade de tempo, mas, se for possível conciliar algum exercício físico durante a sua gestação, te garanto que será muito benéfico. Lembrando sempre que é muito importante procurar bons profissionais, preparados para trabalhar com gestantes, e não exagerar nos exercícios se você não tiver a característica de ser uma pessoa ativa.

 

E vocês, mamães que me seguem, praticaram ou praticam alguma atividade física? Deixa aqui nos comentários, vou adorar saber!

 

See you soon! Beijos, com amor!

 

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em Estilo
15 abr, 2016

Jum Nakao e “A Costura do Invisível”

“A costura do invisível” foi a coleção do Jum Nakao para o SPFW de 2004. Na época eu ainda morava no Rio Grande do Sul e cursava faculdade de moda, fiquei muitos dias impactada com esse desfile. Ali, talvez, tenha sido o início de um conflito que tenho com a moda que já me rendeu muitas e muitas horas de reflexões internas…Qual o real valor da moda, das roupas e sobre ser ou não ser a manifestação de arte que eu buscava. Porque a moda, pra mim, era pra ser arte antes de qualquer coisa, uma forma de expressão, mas qual a real relação do mundo com a moda?

Jum Nakao, 49 anos, brasileiro, designer e diretor de criação.

Jum Nakao, 49 anos, brasileiro, designer e diretor de criação.

Eu não sou uma consumidora frenética do mercado da moda, eu não consumo nem roupas e nem informações suficientes do mercado, mas gosto do assunto, só não consigo – e nem quero – acompanhar e nem concordar com o ritmo frenético das coisas, prefiro que seja mais slow, mais humano. Com o tempo, vou dividindo aqui com vocês o que me prende a atenção e me marca nesse mundo (na tag de moda já tem algumas coisas). Esse desfile já foi há 12 anos, mas as coisas que nos marcam são atemporais e não têm prazo de validade.

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Foram mais de 700 horas de trabalho, picotadas pelas próprias modelos em alguns poucos minutos na passarela. Essa é uma forma de materializar e ilustrar de forma muito real a efemeridade da moda. Foram 182 dias de muito trabalho e muito segredo. No dia 19 de junho de 2004, as modelos entravam na passarela com trajes e adornos inspirados na moda do século XIX num trabalho extremamente delicado e encantador.

Na entrada final, a que todas as modelos entram juntas com seus modelos desfilados individualmente, todas elas se posicionaram diante do público de mais de 1000 pessoas e em uma reviravolta sonora, elas rasgaram toda a obra de arte que vestiam e assim, naquele momento, marcaram a moda brasileira pra sempre. Foi a forma que Nakao encontrou de protestar contra o consumismo exagerado, desnecessário e avassalador. O público ficou estarrecido diante daquela manifestação de raiva e tristeza. Inesquecível!

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Foi meia tonelada de papel vegetal milimetricamente entalhados manualmente pra simular renda. As modelos desfilaram com perucas iguais às dos bonecos playmobil – o que também ajudou a provocar um contraste intrigante. O nome do desfile – que mais foi uma performance – foi intitulado “A Costura do Invisível”. Com essa obra Nakao recebeu o título de desfile da década do SPFW e foi considerado um dos maiores do século pelo Museu de Moda da França.

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Essa história foi tão forte que virou um DVD lançado em 2011. Nele é possível ver a tensão, os bastidores, o desfile, depoimentos… Ao ser questionado se foi um exercício de desapego ver sua obra sendo liquidada na frente dos seus olhos, ele não hesita em dizer que não tinha apego por aquele trabalho e aquelas peças. O objetivo era provocar o choque, o questionamento. Até hoje esse episódio é citado em salas de aula do país inteiro. Achei o desfile no YouTube, vale a pena parar e assistir:

Uma pena que episódios assim sejam tão raros. É inquietante essa cultura do consumo desenfreado, mais pessoas deveriam estar gritando pra chamar atenção pra esse fato. Respeito eterno por Jum Nakao desde junho de 2004.

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em Estilo, Sem categoria
23 fev, 2016

NYFW e o novo calendário da moda

Tudo é rápido, tudo é pra agora, tudo é tudo agora, depois é nada. A velocidade na era das redes sociais é alucinante e é natural que isso influencie muito o mundo externo e faça com que alguns mercados repensem seus padrões e estratégias. O mundo da moda é muito afetado pela velocidade das redes. Até então, a coleção de verão era desfilada no inverno e a de inverno no verão. As tendências apresentadas demoravam 6 meses para chegar às lojas e aos armários dos apaixonados pela moda. O conteúdo das semanas de moda e dos desfiles ficava meio restrito às publicações do segmento e só mesmo os mais interessados iam atrás do que rolou, hoje tudo mudou. Desfiles são exibidos ao vivo via internet, enquanto o desfile ainda está rolando, fotos de cada modelo apresentado são jogados nas redes sociais pra quem quiser ver. E o usuário que vê e  ama o que vê quer os modelos e ele quer agora. Nos dias de hoje, 6 meses é tempo demais. Daqui meio ano a gente já mudou, as redes mudaram e o que era pra ser novidade já não causa nenhum impacto.

DKNY, Marc Jacobs e Michael Kors, NYFW 16

DKNY, Marc Jacobs e Michael Kors, NYFW 16

 

Givenchy, NYFW 16

Givenchy, NYFW 16

Essa mudança social provocou a mudança dos calendários e enquanto muitos discutiam se iam ou não

Carolina Herrera, Derek Lam, Rebecca Minkoff

Carolina Herrera, Derek Lam, Rebecca Minkoff

passar a apresentar verão no verão e inverno no inverno, a Burberry decidiu atualizar-se pro novo formato e as peças apresentadas no desfile da semana passada vão estar nas disponíveis nas lojas em poucos dias. Instantaneamente como a nova geração quer e quase exige. As pessoas estão com pressa. Eu sempre acompanhei um pouquinho as semanas de moda porque faz parte do meu trabalho, mas achava interessante a espera. Será mesmo que precisa ser tudo tão urgente e instantâneo? Ainda não sei ao certo o que eu acho do novo calendário, dá um certo medo essa aceleração generalizada das coisas… Ali em cima coloquei algumas das minhas preferências da semana de moda de NY que rolou semana passada, vou dividir mais algumas!

Ralph Lauren, Calvin Klein e Vera Wang

Ralph Lauren, Calvin Klein e Vera Wang

Ralph Lauren, Calvin Klein e Vera Wang

Ralph Lauren, Calvin Klein e Vera Wang

Hugo Boss, Narcizo Rodriguez e Proenza Schouler

Hugo Boss, Narcizo Rodriguez e Proenza Schouler

Public School, Marchesa e Altuzarra

Public School, Marchesa e Altuzarra

 

Carolina Herrera, Rodarte e Tibi

Carolina Herrera, Rodarte e Tibi

Alguém aí gosta dessa temática? Apesar de eu trabalhar no mundo da moda há muitos anos, tenho uma resistência em falar do assunto… Mas se vocês gostarem disso, posso tentar abordar com mais frequência! 🙂

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em Estilo
03 dez, 2015

Os ícones da moda dos anos 60

Eu estudei moda, sou modelo há muitos anos, sou designer de joias… Isso tudo transita mais ou menos pelo mesmo meio da moda, mas uma parte de mim questiona tantas coisas nesse universo que acabo evitando de produzir conteúdo sobre ele. No entanto, a história da moda é, pra mim, uma das partes mais legais disso tudo, por isso resolvi expor uma das minhas décadas favoritas com vocês: a de 60! Acho que muito já se conclui só se a gente olhar pros principais ícones da épca: Twiggy, Jane Birkin, Audrey Hepburn, Catherine Denueve, Brigitte Bardot, entre muitas outras. Só por elas a gente já consegue ver o peso dessa década!

twiggy

Twiggy, a personificação da década de 60

Muito estilo próprio, cabelos curtos, atitude forte… As mulheres estavam galgando seu espaço na sociedade e falavam muito através da moda. As saias encurtaram, alguns cabelos também, a moda nos anos 60 era não seguir mais a moda. As calça entraram de vez no armário feminino. Os ícones transitavam nos mais diferentes estilos e era a época de consagrar a moda como umas das principais formas de expressão e de liberdade. Foi uma década de muita força feminina.

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

Françoise Hardy

Françoise Hardy

Catherine Deneuve

Catherine Deneuve

Jane Birkin

Jane Birkin

O icônico tubinho de YSL inspirado nos quadros de Mondrian também é fruto dos anos 60.

O icônico tubinho de YSL inspirado nos quadros de Mondrian também é fruto dos anos 60.

Nos anos 60 o rock imperou! O que ajudou muito na atmosfera rebelde da época. No Brasil, era o auge da Jovem Guarda. O conceito deu espaço pro estilo e a alta-costura estava perdendo espaço. Os anos 60 mudaram a forma como o mundo via a moda e essa mudança foi o início de uma grande transformação que testemunhamos até os dias de hoje.

Wanderléa

Wanderléa

O mundo se transformou a partir da década de 60, a música nunca mais foi a mesma depois de Elvis e Beatles, supostamente foi nessa década que pisamos na lua, foi na década de 60 que enfrentamos a ditadura no Brasil, na década de 60 conhecemos a minissaia. Ufa! Queria estar lá pra ver e sentir…

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