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Cultura, Pintura

Picasso: mão erudita, olho selvagem

Fazia tempo que eu não passava pra indicar uma programação cultural, mas é que último semestre da faculdade monopoliza todo o tempo de uma pessoa. O fato é que voltei e as indicações também! Esses dias fui no Instituto Tomie Ohtake ver a exposição do Picasso que está lá desde o dia 22 de maio e fica até 14 de agosto… Ainda tem um mês!

A maioria das pessoas quando pensa em Pablo Picasso, logo pensa nas suas obras cubistas, mas o cubismo foi apenas uma das fases do francês que começou a pintar aos 7 anos e pintou até quase o dia da sua morte, aos 91 anos.

Croquis do figurino que Picasso desenhou para o balé Pulcinela em 1920

Croquis do figurino que Picasso desenhou para o balé Pulcinela em 1920

A exposição separa as 153 peças (parte do acervo do Museu Nacional Picasso-Paris) em fases e se você for com calma e ler todas explicações, é mais rico que uma aula de arte! Algumas fases exploradas na exposição:

O primeiro Picasso: formação e influências

Nessa fase, Picasso estudava na Escola de Belas Artes de La Coruña onde seu pai (também pintor e restaurador de obras de arte) era professor.

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L’homme à la casquette, Picasso pintou quando tinha apenas 14 anos.

Picasso Exorcista: as senhoritas de Avignon.

Foi aqui, em férias no litoral espanhol, que Picasso passou a dar um novo rumo para sua arte. Foi nessa fase que inicializou a revolução do cubismo e que passou a pintar quase que exclusivamente o corpo feminino. Foi nessa fase que ele começou a geometrizar as coisas.

Picasso Cubista: O Violão.

O Cubismo de Picasso é estudado em três partes: a cezanniana, a analítica e a sintética. O Violão é uma obra que está entre a segunda e a terceira parte. O instrumento, que era objeto de fetiche de Picasso, afirma o parentesco espiritual entre a pintura e a música.

O Violão, 1912

O Violão, 1912

Picasso Surrealista: As Banhistas.

De férias em Dinard entre 1928 e 1929, no litoral francês, com a mulher e o filho, Picasso deu início a uma fase surrealista. O que antes era forma, agora passa a pintar anatomias decompostas. A tela “As Banhistas” é um retrato dos encontros secretos, que foi inspirado pelas confusões que as férias desse verão trouxeram, pois sua amante Marie-Thèrése Walter também estava em Dinard.

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As Banhistas

Picasso Engajado: Guernica.

A partir de 1936, Picasso se envolve em projetos para desenvolvimento da arte e da cultura do governo da Frente Popular na França. É nesta fase que sua arte se engaja na luta política e contribui para a história contemporânea. Em 1937, na Exposição Universal, em Paris, ele pinta Guernica como reação da cidade basca ao bombardeio pela aviação nazista em 1937.

Registro fotográfico do processo de criação de Guernica, em 1937.

Registro fotográfico do processo de criação de Guernica, em 1937.

 

Grande Banhista com Livro, 1937

Grande Banhista com Livro, 1937

 

Mulher chorando, 1937

Mulher chorando, 1937

Picasso na resistência: Interiores e Vanitas.

Nessa fase, Picasso fica obscuro. Lida muito com o medo e a dor. Nessa fase Picasso sentiu-se ameaçado pelo governo, sofreu o luto pela morte de sua mãe e viveu momentos de muita angústia. Isso reflete-se em suas obras que passam a ter a morte como tema recorrente.

Gato com passarinho na boca (1939) e O Garoto e as Pombas (1943)

Gato com passarinho na boca (1939) e O Garoto e as Pombas (1943)

Picasso Múltiplo: A Alegria da Experimentação.

Nessa fase, verão de 1946, Picasso passa a se aventurar no mundo da escultura. Transitando entre materiais como argila e zinco, o artista talha animais como coruja e pomba à mão e esculpe vasos de barro. É a retomada da alegria na obra de Picasso, depois de um tempo obscuro. Algumas peças dessa época estão disponíveis na exposição em uma vitrine.

O Último Picasso: O Trunfo do Desejo.

Aqui Picasso escandaliza e passa a pintar telas explicitamente eróticas, a sexualidade passa a estar presente em sua obra quase como uma obsessão. Órgãos explícitos, cenas de orgia e sexo são pintados à exaustão em sua última fase criativa.

Tela Le Baiser, à esquerda.

Tela Le Baiser, à esquerda.

A exposição encerra com um autorretrato do artista feito apenas um ano antes de sua morte que soa quase amador, o que é muito irônico pra quem pintou L’homme à la casquette aos 14 anos.

Autorretrato: O jovem pintor, 1972

Autorretrato: O jovem pintor, 1972

Recomendo que quem puder, vá ver de perto! Tem muita coisa que não registrei pra não entregar tudo…

  • Instituto Tomie Ohtake – Rua Coropé, 88, Pinheiros
  • R$ 12,00 inteira / R$ 6,00 meia – entrada gratuita às terças-feiras
  • Abre de terça à domingo, das 11h às 20h (pode entrar até às 19h)

 

 

Pintura

O minimalismo de Agnes Martin

Agnes Martin foi uma artista canadense nascida em 1912 que atuou fortemente dentro do movimento expressionista abstrato. Sua linguagem minimalista é o que me desperta a maior identificação como artista e designer. Suas obras eram um mergulho no interior, no silêncio e na discrição. Agnes tinha esquizofrenia e após alguns meses internada em um hospital psiquiátrico,  optou pelo tratamento com choques elétricos, brutal, mas muito comum no século passado. Era uma feminista declarada e, apesar de nunca ter declarado publicamente, alguns artistas próximos afirmavam que ela era homossexual. Agnes Martin era uma pioneira em seu tempo, tanto na vida pessoal quanto profissional e artística, pois foi uma mulher ativa e ousada para a época que era ainda mais dominada pelos homens. Adepta do budismo, suas artes passam uma tranquilidade que, provavelmente, é fruto desse lado zen de Agnes.

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Agnes Martin

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Obras de Agnes Martin no Tate

Obras de Agnes Martin no Tate

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Quero esse livro <3

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O que mais me encanta em trabalhos minimalistas é a ilusão de que é um trabalho simples e superficial que qualquer um faria. Acertar com mil recursos é relativamente fácil, difícil mesmo é fazer trabalhos incríveis com pouco. Como disse Clarice Lispector uma vez: ser simples é ser incrível!

Escultura, Pintura

A não-arte de Lygia Clark

Lygia Clark foi uma mulher que contribuiu enormemente pra arte no Brasil e eu sou simplesmente apaixonada pelo trabalho dela! Nascida em Belo Horizonte em 1920, começou a estudar arte somente em 1947 – já com 3 filhos e aos 27 anos – no Instituto Burle Marx (já falei sobre Burle Marx aqui) no Rio de Janeiro e foi ele próprio que ministrou as primeiras aulas de pintura que Lygia teria. Aos 30 foi para Paris, onde estudou com grandes artistas e se dedicou ao estudo de escadas e aos desenhos de seus filhos e onde também realizou seus primeiros óleos e fez sua primeira exposição, em 1952. Um ano depois, em 1953, ela voltou para o Rio de Janeiro.

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tumblr_lwvg5nGYiQ1r70t2xo1_1280Lygia, ao voltar para o Brasil, integrou o Grupo Frente que foi um grupo artístico brasileiro formado pelo artista Ivan Serpa. Ela era umas das mulheres mais influentes do grupo que aceitava artistas de todos os gêneros sob uma condição: a de questionar a arte, ir contra o formato da velha a academia de arte e estar disposto a quebrar barreiras e caminhar com os próprios pés. O grupo durou menos de 3 anos de forma natural, já que a maioria dos integrantes obtiveram tanto sucesso que naturalmente seguiram suas próprias carreiras individuais. Lygia rejeitou o título de artista enquanto viva, preferia ser vista como “propositora”.

"Quebra da Moldura"

“Quebra da Moldura”

Lygia foi muito conhecida e reconhecida pela relação próxima de suas artes (ou proposições, como ela preferia chamar) e terapias psicológicas. No período em que lecionava na universidade de artes plásticas de St Charles em Paris, fazia sessões de relaxamento e exercícios de sensibilização. Em uma de suas aulas de arteterapia, uma aluna desmaiou e Clark defendeu que a razão era uma falta de preparo psicológico por parte da aluna. Lygia acreditava no poder da cura através de pedras, terra e outros elementos da natureza. Caetano Veloso foi  muito próximo de Lygia Clark e diz que ela inspirou muito suas composições na época, conversou muito sobre seus interesses na arte plástica e fez longas sessões de terapia com ela na década de 70. A música “if you hold a stone” foi feita para ela.

A proposição abaixo, Baba Antropofágica, de 1973, foi realizada em Paris pela primeira vez, mas reproduzida muitas vezes até hoje. Uma pessoa deita de barriga pra cima e as outras têm carreteis de linha em suas bocas, vão tirando lentamente o fio e envolvendo a pessoa deitada, Clark encontrava poesia nas vísceras, nos fluidos corporais, inclusive na baba.

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Em 1961, ela ganhou o prêmio de melhor escultura na Bienal de São Paulo com uma das obras de sua série “bichos” que era composta de esculturas metálicas com formas geométricas que se articulavam por dobradiças e dependiam da participação do espectador. Essa série é considerada a obra prima de Clark, e pra ser entendida precisava de interação e de contato, assim como os bichos. Com um misto de construtivismo, geometria e organicidade, a série foi seu maior paralelo entre o orgânico e a arte. Lygia fazia arte pra que houvesse interação, pra que fosse tocada, pra que fizesse sentir.

Obras da série "Bichos", década de 60

Obras da série “Bichos”, década de 60

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A ideia de Lygia é que essas esculturas tivessem proporções monumentais e foi somente 50 anos depois da sua ideia, em 2013, que a Alison Jacques Gallery ajudou a realizar essa obra e a expôs na Art Basel.

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Em 66, Lygia começou o projeto “Objetos Sensoriais” onde ela trabalhava com objetos banais do cotidiano pra explorar a relação entre o corpo e a arte. As obras/proposições do projeto propunham experiências solitárias que buscavam autoconhecimento. Na proposição abaixo, cada máscara tinha cores e materiais diferentes, no lugar do olhos, os buracos eram costurados com vários ingredientes naturais, como sementes e ervas aromáticas. Perto das orelhas, alguns objetos eram integrados para aumentar a sensorialidade das máscaras.

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fonte: Panorama Crítico

fonte: Panorama Crítico

Lygia Clark contribuiu de uma forma imensurável pra arte no Brasil e no mundo, atingiu prestígio internacional e é sempre lembrada nas salas de aula, em conversas de profissionais do mundo da arte e até hoje suas proposições e experiências são reproduzidas. Sua fase sensorial foi alvo de muito fascínio e desperta curiosidade de muitos amantes da arte contemporânea de todas as idades. Sua importância foi reconhecida até pelo Google que no ano passado, no dia em que Lygia faria 95 anos, o doodle da página inicial era uma homenagem a ela e à série “bichos”.

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Morreu aos 67 anos, em 1988, vítima de um ataque cardíaco em casa. Não sei traduzir em palavras minha admiração por ela que se recusou a ser só uma, que transitou por diversas manifestações artísticas e que deixou um legado enorme e lindo pro Brasil e pro mundo. Autora de livros, pintora, escultora e, acima de tudo, uma pensadora, uma questionadora…

Admiração eterna. <3

Pintura

Tudo vira arte com Chad Wys

Chad Wys, 32 anos. Americano de Illinois, sempre viu mais graça em livros de pintura dos séculos 19 e 20 do que em qualquer brinquedo adequado pra idade dele. Os ídolos de infância eram os pintores impressionistas e os museus, os principais playgrounds. A fascinação quase ingênua pela arte e sua história seguiu durante os anos seguintes em sua adolescência e isso tudo colaborou pra que ele, na fase adulta, soubesse o que queria fazer da vida. Frequentou a universidade estadual de Illinois e se formou no curso de Cultura Visual, onde se aprofundou na história da arte, filosofia e teoria visual.

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Durante a faculdade, desenvolveu o interesse em arte contemporânea, coisa que ele era meio resistente nos anos anteriores. A partir daí, sentiu sua própria criatividade tomar vida. Ele tinha uma inclinação ao design gráfico desde que, aos 7 ou 8 anos, teve acesso a um computador pela primeira vez e começou a desenhar… Hoje ele se diverte ao manifestar seus conceitos filosóficos sobre objetos, imagens e, claro, arte.

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Ele faz suas artes em objetos, tecidos, papeis, fotografias, obras de arte… Tudo pode ganhar uma nova cara nas mãos de Chad Wys. Agora diz, dá ou não dá vontade de sair pincelando a casa toda? haha

Pintura

Meghan Howland, arte que faz sentir!

Meghan Howland é uma pintora americana de 30 anos. Megan pinta desde os 6 anos, mas de mero hobby infantil, a arte tornou-se essencial para expressar o que não consegue com palavras, com obras cheias de sentimento, expõe pro mundo o que sente de forma extremamente sensível e encantadora. Claramente orgânica, Meghan traduz seus sentimentos em pinturas com tinta a óleo que transbordam pássaros, penas, flores e passam uma sensação macia como seda. 04

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Não dá pra saber direito como interpretar as emoções das pinturas… Pode ser um sufocamento ou um acolhimento. Pode ser paz ou desespero, a dificuldade de saber ao certo a emoção só aumentam a graça do trabalho de Meghan que é tão maravilhoso que está sendo difícil não escolher 50 imagens pra ilustrar o post.

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Ela, que busca inspiração em amigos, familiares, fotografias e estuda sobre os seres humanos e os relacionamentos com outros organismos, assina uma obra linda e visivelmente densa, embasada. Apaixonada pelo que faz, estuda os elementos de suas pinturas e o resultado é esse: arte que faz sentir!

Mais do seu trabalho aqui.

Gostaram?

Pintura

A solidão das telas de Edward Hopper

Edward Hopper foi um pintor realista, nascido em 1882, faleceu aos 84 anos na mesma cidade em que nasceu: Nova Iorque. Hopper estudou pintura, ilustração e design gráfico e ficou amplamente conhecido pelas suas pinturas que retratavam a solidão. Estudou muito sobre teorias da psicologia e sua obra tem como embasamento algumas linhas de estudo de Freud e a relação entre os homens e seus problemas. Extremamente melancólico, é impossível observar sua obra e não sentir que a época, para o artista, era difícil e havia pouca esperança.

Compartment C Car de 1938

Compartment C Car de 1938

Automat de 1927

Automat de 1927

Morning Sun de 1952

Morning Sun de 1952

Hotel Window de 1955

Hotel Window de 1955

Hotel Room de 1931

Hotel Room de 1931

Sunday de 1926

Sunday de 1926

Summer interior de 1909

Summer interior de 1909

Summertime de 1943

Summertime de 1943

Hopper presenciou as duas grandes guerras mundiais e a grande depressão americana de 1929, momentos de tanta tensão e instabilidade foram cruciais para seu processo criativo. Um mundo em crise e em depressão foram eternizados pela arte desse artista que ainda quando pintava mais de uma pessoa em suas telas, deixava a atmosfera de tristeza, de vazio e estagnação muito clara.  A solidão mesmo em companhia era retratada pela ausência de contato visual.

Sunlight in a cafeteria de 1958

Sunlight in a cafeteria de 1958

Summer evening de 1947

Summer evening de 1947

Nighthawks de 1942

Nighthawks de 1942

Hotel Lobby de 1943

Hotel Lobby de 1943

People in the sun de 1963

People in the sun de 1963

Pinturas lindas e cheias de sentimentos vazios, o que acharam?

Já curtiram a fanpage? 😉

Beijo beijo!

Pintura

As facetas de Biel Carpenter

Biel Carpenter é mais um paulista que admiro como artista. Mora em Curitiba e é formado em gravura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Pesquisar sobre a formação de artistas que gosto é muito interessante, descubro formações superiores nada usuais e vejo como quem tem talento para uma arte, dificilmente se limita, hoje até tatuador ele é… Biel é extremamente sensível, suas telas têm um ar de tristeza absolutamente lindo e frequentemente retratam mulheres. Na minha leitura, o resultado é quase sempre um momento de introspecção. Biel conta que a arte é presente na sua vida desde criança. Ele gostava do processo de criar, depois de prontas, queimava suas obras…que desperdício!

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Antes de se encontrar e se formar em gravura, Biel largou duas faculdades de design gráfico e chegou a trabalhar em uma corretora de seguros, hoje trabalha exclusivamente para suas diversas manifestações de arte. No final dos anos 90, fazia muito pôster para bandas lado B, sempre acreditou que a música só se faz completa com uma arte visual associada, como o que Andy Warhol experimentou com Velvet Underground. Se Biel fosse Andy, Velvet Underground seria Marcelo Camelo.

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Pôster turnê “Toque Dela”

Pôster turnê "Banda do Mar", banda de Marcelo Camelo

Pôster turnê “Banda do Mar”, banda de Marcelo Camelo

A gravura é uma técnica do século XV extremamente artesanal. Biel utilizou nas imagens abaixo a técnica ponta-seca de gravura, as diferenças de tons são obtidas no controle da pressão da ponta na placa de metal. É um processo fascinante que me encanto muito fácil porque me identifico, é um trabalho relativamente próximo ao da ourivesaria que uso pra produzir algumas das minhas peças de jóias.

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Carpenter ilustrou o livro “Uma princesa nada boba” do autor Luiz Antônio em 2011 e ano passado lançou o “Felicidade Inóspita” que reune 20 obras dele entre gravuras, bordados, aquarelas e tem textos de Marcelo Camelo, que depois das capas que Biel assinou, tornou-se um amigo.  A música não fica só em capas e pôsteres, ele ainda é o responsável pelo contrabaixo, acordeom e xilofone na banda Eletroveracruz. Não é impressionante que pessoas com arte na alma nunca ficam limitadas a uma só manifestação?

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Livro Felicidade Inóspita

Uma princesa nada boba

Uma princesa nada boba

Banda Eletroveracruz

Banda Eletroveracruz

Tem mais? Tem! Recentemente Biel Carpenter começou a tatuar alguns de seus desenhos, com uma pegada meio “old school” e sempre em preto. E olhando seu perfil no Instagram, é fácil de constatar que a fotografia é mais um de seus talentos naturais.

Suas tatuagens no papel e na pele.

Suas tatuagens no papel e na pele.

O nascimento de duas de suas muitas telas.

O nascimento de duas de suas muitas telas.

As imagens falam por si só sobre artista orgânico e cheio de verdade. Ele já participou de muitas exposições coletivas, até em NY. Gosto de arte assim, arte que faz a gente sentir coisas! Tem mais dele no site e no Instagram que marquei ali em cima.

Gostou? Curte aqui 🙂

Paisagismo, Pintura

Os jardins de Roberto Burle Marx

Roberto Burle Marx, apesar de ter vivido maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, foi um artista plástico paulistano. Conhecido no mundo inteiro, Burle Marx foi referência como arquiteto-paisagista. Você pode até nunca ter ouvido falar dele, mas certamente já esteve próximo a muitos de seus projetos. Quando faleceu, em 1994, ele tinha assinado mais de 2000 projetos de paisagismo! Entre eles, jardins do Aterro do Flamengo (RJ), do Aeroporto da Pampulha (MG), Eixo Monumental (DF), Palácio Karnak (PI), Aterro da Bahia Sul (SC), só em Brasília, olha quantos jardins foram assinados por ele: Superquadra 308 Sul, Banco do Brasil, Palácio do Itamaraty, Palácio do Jaburu, Ministério da Justiça, Praça dos Cristais, Tribunal de Contas da União, Teatro Nacional e Parque da Cidade. Seu primeiro projeto foi o  da Praça de Casa Forte em Recife, terra natal de sua mãe. Burle é sua parte francesa da família e Marx a parte alemã e, pasmem, Karl Marx era primo do avô dele!!

Entre suas experiências internacionais, estão o projeto do Parque Generalisimo Francisco de Miranda na capital venezuelana, o Longwood Gardens (Filadélfia, EUA), Jardins da Unesco em Paris e também o projeto de paisagismo da embaixada brasileira em Washington DC (EUA). Em 1982, recebeu na Holanda e na Inglaterra o título de Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia e do Royal College of Art em Londres, respectivamente.

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Entre seus 19 e 20 anos, morou com sua família na Alemanha, foram em busca de tratamento para um problema que tinha em seus olhos e foi lá que se apaixonou pelo paisagismo, encantou-se com a estufa do  Jardim Botânico em Berlim. Roberto passou a se dividir, então, entre o amor pela pintura e o novo amor pelas plantas. Além de paisagista autodidata e pintor, ele atuou também como tapeceiro, escultor, ceramista e deisgner de joias, um ser humano que viveu para a arte! Por que será sou tão fã dele, né? Na faculdade, estudou  na Belas Artes da UFRJ e foi da geração de outros gigantes como Oscar Niemeyer e Cândido Portinari.

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Jóias de Burle Marx

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Pintura de 1981, óleo sobre tela.

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Obra de 1993, serigrafia.

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Nanquim sobre papel.

Sabem o calçadão de Copacabana? Ele é, na verdade, original de Lisboa… Foi feito em 1909 no Rio e as curvas eram perpendiculares à calçada. Na década de 70, o calçadão passou por uma reforma junto ao projeto de extensão da faixa de areia e, então, Burle Marx foi acionado para ajudar no desenho do calçadão. Ele, por sua vez, optou por manter o desenho original, mas as curvas foram aumentadas e passaram a ser paralelas à calçada.

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Releitura da calçada de Copacabana assinada por Burle Marx em 1970.

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Eixo Monumental, em Brasília. Projeto de 1960.

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Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, projeto da década de 50.

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Palácio da Justiça, em Brasília. 1972.

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Jardins na Unesco em Paris.

A vontade que dá é de colocar o máximo de jardins que consigo encontrar aqui pra dividir com vocês. É impressionante que ele tenha sido autodidata e tenha atingido tanta perfeição nas formas de seus jardins. Em 1994, Roberto Burle Marx se despediu deixando o mundo um lugar mais lindo e muito, muito mais verde.

Escultura, Pintura

Henrique Oliveira e sua instalações fascinantes!

Henrique Oliveira é um paulista de 42 anos formado em artes plásticas pela USP e mestre em Poéticas Visuais pela mesma instituição. Já participou de 79 exposições em diversas cidades do mundo, sendo 22 delas exclusivas das artes dele, a última exposição dele no Brasil foi a instalação Transarquitetônica ano passado no MAC (Museu de Arte Contemporânea) de São Paulo que durou até janeiro deste ano. As suas obras transitam entre pinturas, esculturas e grandes (grandes mesmo) e complexas instalações. O trabalho de Henrique Oliveira desperta uma curiosidade universal pela grandiosidade de suas obras que parecem ter vida própria, a madeira meticulosamente trabalhada toma formas que nos intimidam, nos deixam pequenos e que parecem capazes de, em qualquer momento, continuarem o curso de suas voltas… É quase um incômodo o que se sente, um incômodo interessantíssimo, fascinante e que dá vontade de sentir de novo e de novo. A textura de suas obras é um atrativo à parte.

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Transarquitetônica no MAC USP em 2014, labirinto arquitetônico feito com madeira, tijolo, taipas, PVC, madeira compensada, galhos de árvores e outros materiais.

As instalações em madeira são as mais impressionantes e o que o artista mais aprecia ver depois de pronto, mas é a pintura que mais tem prazer em fazer e é onde sua relação com a arte começou… Suas pinturas são abstratas na maioria das vezes e feitas sobre tela com tinta acrílica.

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Pintura acrílica em madeira compensada.

Pintura acrílica em madeira compensada.

Além de tapumes velhos, que apesar de serem de madeira origem natural, viram arte nas mãos dele somente depois de terem sido descartados pela sociedade, também tomam novas formas artísticas elementos como móveis abandonados e colchões usados.

Em New Orleans, US: Obra feita com colchões e travesseiros coletados após o furacão Katrina.

Em New Orleans, US: Obra feita com colchões e travesseiros coletados após o furacão Katrina.

Obra "Condensação" de 2012 feita exclusiva com colchões.

Obra “Condensação” de 2012 feita exclusiva com colchões.

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2014, móvel e madeira compensada

As obras em madeira compensada são ecologicamente corretas, a impressão que se dá é que grandes pedaços de madeira maciça são utilizadas, mas Oliveira prepara a estrutura com outros elementos geralmente reciclados como canos de PVC descartados e depois reveste com pedaços de madeira que, geralmente, foram tapumes usados na construção civil, a origem da sua matéria prima é urbana, ainda que natural. A instalação abaixo foi feita com tapumes e ficou exposta em 2011 no Museu Nacional de Arte Africana da Instituição Smithsonian, em Washington DC.

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Obra feita em 2009 no centro de Porto Alegre, com estrutura de PVC e cobertura de tapumes de madeira. A obra fez parte da sétima bienal do Mercosul.

Muito orgulho de ter um talento tão incrível assim no Brasil… Países como Bélgica, Alemanha, Áustria, Estados Unidos, México e França já tiveram a honra de ter seu trabalho exposto. Vida longa a esse artista e suas obras fascinantes!

Dicas, Exposição, Pintura

Exposição Joan Miró

Final de semana chegando, momento certo pra dica cultural, né? Há umas semanas visitei a exposição de Joan Miró no Instituto Tomie Ohtake aqui em São Paulo e super indico! Miró foi um escultor, pintor e ceramista surrealista, nascido em Barcelona, morreu antes mesmo que eu nascesse e coincidentemente, faleceu em Mallorca, acreditam? Essa semana o blog está muito espanhol!

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Considerado um dos maiores artistas do século XX, logo no começo de sua carreira, conheceu André Breton, fundador do movimento surrealista e isso ditou muito do que se veria em suas obras posteriormente, hoje é considerado umas das principais referências deste movimento. Miró teve suas obras expostas nos principais museus do mundo e teve seu trabalho premiado diversas vezes. A exposição conta com mais 100 obras de Miró entre pinturas, esculturas, gravuras, desenhos e objetos. Um privilégio ver peças tão importantes assim de perto.

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Onde? Instituo Tomie Ohtake (Av. Faria Lima, 201 – Pinheiros – São Paulo – SP)

Até quando? 16 de agosto de 2015.

Horário de visitação? De terça a domingo, das 11h às 20h.

Quanto custa a entrada? Na-da. Entrada gratuita.

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