M. B.

Eu quero uma slow-life

11263265_1061355110559963_1844249895_nComeçamos a nos questionar a onda de fast-fashion recentemente, fast-food já vem sendo apedrejado há mais tempo… Estamos na onda de apostar no slow-fashion por uma moda mais sustentável, mais consciente, mais humana e mais responsável. Levantamos a bandeira da slow-food por uma alimentação mais saudável, menos cancerígena, por uma população com menores índices de obesidade e problemas de saúde. Tudo isso é de extrema importância, mas quando vamos parar para falar de uma slow-life?

Até quando a gente vai correr? Quando as urgências vão diminuir? Em era de whatsapp, ninguém tem mais tempo pra pensar, pra refletir, pra se organizar antes de escrever, tem que responder logo, tem que responder agora. Antes a gente tinha paciência pra esperar uma carta chegar. Hoje,  se um e-mail demora mais de uma hora sem resposta, é uma falta gravíssima! Eu quero desacelerar, quero me livrar da fast-life que me foi imposta, mas o mundo parece querer me atropelar. Será que a gente está com nosso senso de urgência apurado? De repente tudo virou urgente e concordam que quando tudo é urgente, nada é? Eu tenho pressa de desacelerar, minha pressa é a da calma. Quero poder pensar em uma coisa de cada vez, levar quanto tempo for pra fazer minhas coisas, quero respeitar o meu tempo sem que o mundo ao meu redor me imponha seu ritmo frenético.

A gente precisa mesmo ler todos os jornais? Conhecer todos os últimos lançamentos musicais? Acompanhar as fashion weeks do mundo todo? A gente precisa saber quem é a atriz da novela das 21h? Precisa estar por dentro de todos os memes da internet? Eu não quero precisar, eu não quero saber de tudo, eu não quero mais informação do que minha mente pode processar, eu quero calma pra assimilar o que acontece em minha volta, quero substituir a tensão pela serenidade. Nesse mundo super moderno, legal, atualizado e globalizado de hoje estamos consumindo mais antidepressivos que em qualquer outra época. Será que o mundo tá tão legal assim? Eu não quero só slow-fashion e slow-food, eu quero uma slow-life. Pode?

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13 Comentários

  • Responder Swellen Casagrande 16 de outubro de 2015 at 09:53

    Menina, escrevi sobre algo parecido há algum tempo, justamente porque me vi sufocada por tanto imediatismo. Compartilhamos do mesmo ponto de vista!

    http://poracasoretrato.com.br/category/pronto-falei/

    Passei por uma fase de me achar a pessoa mais desinformada e desinteressante do mundo, afinal não sabia o nome de todos os últimos filmes do Oscar, os trend topics do twitter e nem quem era a última musa fitness do insta. Também não posto quase nada no face e morro de preguiça de celular… Daí, felizmente, parei e pensei que, na verdade, estou fazendo um bem a mim e a minha mente. Ficar off de vez em quando não é um erro, é um privilégio.

    Adoro seu blog e a leveza de todas as coisas aqui. Se tivéssemos contatos, gostaria de ser sua amiga! rs…

    Um abraço Mônica! Brilha!

  • Responder ELISA 16 de outubro de 2015 at 13:40

    E que fique bem claro, o desacelerador não está no local onde moramos ele está dentro da gente.

    Notas de uma médica em busca da slow life que saiu de Belô pro “meio do mato” e ta mais acelerada que antes!

    beijos Monica, sucesso.

  • Responder Juliana 16 de outubro de 2015 at 21:11

    Nossa, como eu amava receber cartas. Grandes amizades nasceram através das cartas, como era legal, a ansiedade de esperar o carteiro chegar, a felicidade quando ele entregava as cartas, a curiosidade de saber como foram os dias das minhas amigas desde a última carta. Hoje em dia com a vida “whatsapeada” mal nos falamos, raramente contam sobre como vai a vida, as novidades, e olha que era pra a coisa mais ativa né? Já que basta se conectar e pronto. Na real, eu prefiro as cartas, éramos mais próximas do que hoje em dia!

  • Responder Mari de Fortaleza 17 de outubro de 2015 at 00:06

    Sabia que quanto mais ‘te conheço ‘ mais eu gosto de ti? Depois de ler aqui, só tenho isso a dizer. E com certeza.

  • Responder Vanessa Ferrara 17 de outubro de 2015 at 03:35

    Hoje completam-se 2 meses que me libertei dessa loucura, 2 meses que deixei de trabalhar por dinheiro e passar por cima de alguns princípios, 2 meses que estou fazendo aula de bateria, inglês, pos graduação, 2 meses comecei a me alimentar melhor, a ir pra academia direito, a viajar sem pressa, ir ao médico, 2 meses que consigo usufruir das delícias do meu bairro (Ibiraquera, Paulista, jardins), coisas que só conhecia através da janela do carro, 2 meses que se quiser não faço nada, ou faço tudo, enfim, creio que Deus nada me deixará faltar, mas espero que quando o dinheiro for pouco, eu o possa encontrá-lo na música, pois os sonhos nunca ficam velhos.

  • Responder Bruna Moneda Astini 18 de outubro de 2015 at 06:57

    Gostei muito da reflexão e me identifiquei, assim como muitos, acredito. Uma contribuição importante e um convite a uma revisão de como estarmos vivendo. Parabéns.

  • Responder Juliana Valgas 19 de outubro de 2015 at 17:07

    Olá Monica.

    Eu penso que hoje em dia todo mundo quer saber de tudo um pouco, as pessoas vivem na superfície do conhecimento, todo mundo é nutricionista, personal, cozinheiro porque chegamos em um tempo aonde a internet disponibiliza tudo e todos querem ser tudo e ninguém mergulha naquilo que realmente é necessário pra sua vida, muita informação x pouco conhecimento, porque pra mim conhecimento é diferente de informação e é nisso que o mundo está se perdendo, ate porque o conhecimento é algo que se adiquire com o tempo, dedicação, disciplina e isso são posturas que não serve mais para a vida corrida que estamos vivendo, tudo sempre é pra ontem e o agora, pra muitos nem existe.

    Beijoss
    🙂

  • Responder Rebeka 19 de outubro de 2015 at 22:08

    Que texto perfeito! Acredito que temos essas busca diária para sairmos um pouco dessa correria, dessas cobranças de tudo e todos! O mundo cobra o tempo todo, mas nosso corpo, nossos sentimentos também nos cobram, e exigem da gente essa calmaria.
    Recentemente abri mão de um emprego por não satisfazer o mínimo que espero para o mundo! Ainda mais trabalhando com crianças. Me recusava, sofria por ter que compartilhar certas atitudes da empresa, que não compactuavam com aquilo que tanto espero de mim, das pessoas, do mundo! Mínimo de atenção, respeito, de cada coisa no seu tempo. E foi a melhor decisão já tomada! Estou curtindo esse tempo para meditar, ler, ouvir músicas a toa, tomar aquele sol matinal tão relaxante, e com isso aprender a olhar mais para mim mesma.

    Obrigada por esse texto!

  • Responder Allana 26 de outubro de 2015 at 12:07

    Oi Mônica!

    Quanto mais te conheço, mais te admiro!
    Uma “slow life” é justamente o que venho buscando e você deu a inspiração para minha primeira tatuagem!

    Sucesso!

    • Responder Mônica Benini 28 de outubro de 2015 at 08:03

      Querida, obrigaaaada!
      Espero que sua tatuagem fique linda e te inspire!
      Beijoos

  • Responder Um paraíso em SP – Mônica Benini 28 de outubro de 2015 at 10:06

    […] que recentemente falei aqui sobre minha vontade/necessidade de uma slow-life? Infelizmente ainda tenho uma estrada pela frente, […]

  • Responder Roberta 3 de novembro de 2015 at 18:41

    Texto maravilhoso! Vc me inspira muito, Mônica! Te desejo toda paz e felicidade!
    bjooss

    • Responder Mônica Benini 4 de novembro de 2015 at 08:25

      Ô, querida! Muito obrigada! q alegria! Muita luz e muito amor pra vc!

    Responder