Paisagismo, Pintura

Os jardins de Roberto Burle Marx

Roberto Burle Marx, apesar de ter vivido maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, foi um artista plástico paulistano. Conhecido no mundo inteiro, Burle Marx foi referência como arquiteto-paisagista. Você pode até nunca ter ouvido falar dele, mas certamente já esteve próximo a muitos de seus projetos. Quando faleceu, em 1994, ele tinha assinado mais de 2000 projetos de paisagismo! Entre eles, jardins do Aterro do Flamengo (RJ), do Aeroporto da Pampulha (MG), Eixo Monumental (DF), Palácio Karnak (PI), Aterro da Bahia Sul (SC), só em Brasília, olha quantos jardins foram assinados por ele: Superquadra 308 Sul, Banco do Brasil, Palácio do Itamaraty, Palácio do Jaburu, Ministério da Justiça, Praça dos Cristais, Tribunal de Contas da União, Teatro Nacional e Parque da Cidade. Seu primeiro projeto foi o  da Praça de Casa Forte em Recife, terra natal de sua mãe. Burle é sua parte francesa da família e Marx a parte alemã e, pasmem, Karl Marx era primo do avô dele!!

Entre suas experiências internacionais, estão o projeto do Parque Generalisimo Francisco de Miranda na capital venezuelana, o Longwood Gardens (Filadélfia, EUA), Jardins da Unesco em Paris e também o projeto de paisagismo da embaixada brasileira em Washington DC (EUA). Em 1982, recebeu na Holanda e na Inglaterra o título de Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia e do Royal College of Art em Londres, respectivamente.

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Entre seus 19 e 20 anos, morou com sua família na Alemanha, foram em busca de tratamento para um problema que tinha em seus olhos e foi lá que se apaixonou pelo paisagismo, encantou-se com a estufa do  Jardim Botânico em Berlim. Roberto passou a se dividir, então, entre o amor pela pintura e o novo amor pelas plantas. Além de paisagista autodidata e pintor, ele atuou também como tapeceiro, escultor, ceramista e deisgner de joias, um ser humano que viveu para a arte! Por que será sou tão fã dele, né? Na faculdade, estudou  na Belas Artes da UFRJ e foi da geração de outros gigantes como Oscar Niemeyer e Cândido Portinari.

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Jóias de Burle Marx

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Pintura de 1981, óleo sobre tela.

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Obra de 1993, serigrafia.

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Nanquim sobre papel.

Sabem o calçadão de Copacabana? Ele é, na verdade, original de Lisboa… Foi feito em 1909 no Rio e as curvas eram perpendiculares à calçada. Na década de 70, o calçadão passou por uma reforma junto ao projeto de extensão da faixa de areia e, então, Burle Marx foi acionado para ajudar no desenho do calçadão. Ele, por sua vez, optou por manter o desenho original, mas as curvas foram aumentadas e passaram a ser paralelas à calçada.

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Releitura da calçada de Copacabana assinada por Burle Marx em 1970.

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Eixo Monumental, em Brasília. Projeto de 1960.

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Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, projeto da década de 50.

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Palácio da Justiça, em Brasília. 1972.

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Jardins na Unesco em Paris.

A vontade que dá é de colocar o máximo de jardins que consigo encontrar aqui pra dividir com vocês. É impressionante que ele tenha sido autodidata e tenha atingido tanta perfeição nas formas de seus jardins. Em 1994, Roberto Burle Marx se despediu deixando o mundo um lugar mais lindo e muito, muito mais verde.

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8 Comentários

  • Responder Natália Stoffels Hahn 29 de julho de 2015 at 23:26

    Olá Monica! Primeiramente parabéns pelo blog! Está lindo! Sempre acompanho suas fotos e são lindas, muitas até me emocionam! Inclusive algumas aparecem na minha área de trabalho! hehe Muito lindo tudo que escreves! Tu sabes que adoro a arte como um todo, ela nos traz vida, alegria e um sentimento tão puro de amor! Minha família é de origem alemã e moramos no interior do estado de RS e até hoje fazemos jardins com muitas flores, ciprestes…Ah acho fantástico o trabalho de Marx! Conhecia alguns trabalhos dele, mas não sabia que eram tantos! Adorei ler sobre ele! Obrigada por dividir com tantas pessoas a beleza do nosso país, uma país lindo, com tantas belezas naturais, mas infelizmente com tanta falcatrua… Um beijo na alma! <3

    • Responder Mônica Benini 4 de agosto de 2015 at 17:43

      Natália!
      Que delícia de comentário, me deixou com um sorrisão enorme aqui! Que felicidade saber que eu te toco de alguma forma. Isso me move! Mto obrigada! <3
      Eu também sou do interior do RS e sei bem do que vc fala! Que lindeza nossa terra! E o trabalho do Marx? Ahhh, de tirar o fôlego!
      Obrigada pela visita! Venha sempre!

      Bjinhos!

  • Responder Roberta 30 de julho de 2015 at 18:33

    Apaixonada pelos jardins e pelo seu site! Parabéns!

    • Responder Mônica Benini 4 de agosto de 2015 at 17:43

      Eeeee, Roberta! Que alegria! Obrigada!
      bjs!

  • Responder Mari de Fortaleza 5 de agosto de 2015 at 15:19

    Sempre que venho aqui dou uma “googlezadinha” pra LER MAIS sobre o artista e a arte..
    E olha só o que descobri: o jardim do Theatro José de Alencar aqui de Fortaleza foi feito por ele. Como também a sede do Banco do Nordeste que é deslumbrante. Quando fui lá sentia uma paz tão grande que sempre comentava: “Sorte de quem trabalha em um lugar tão lindo como esse”..
    pois o Senhor dos Jardins já “passeou” muito por aqui. Que massa!

    Beijo Mô.

    • Responder Mônica Benini 11 de agosto de 2015 at 03:01

      Mari!
      Fiquei MUITO feliz com esse seu comentário! Bingo! É justamente esse um dos meus objetivos…que demais vc pesquisar sobre os assuntos que eu posto! Adorei! O Sr. dos jardins “tem a manha”, né?
      Bjãoooooo <3

  • Responder A não-arte de Lygia Clark – Mônica Benini 10 de maio de 2016 at 20:09

    […] – já com 3 filhos e aos 27 anos – no Instituto Burle Marx (já falei sobre Burle Marx aqui) no Rio de Janeiro e foi ele próprio que ministrou as primeiras aulas de pintura que Lygia teria. […]

  • Responder A atemporalidade de Paulo Mendes da Rocha – Mônica Benini 17 de julho de 2016 at 16:14

    […] Outra obra muito popular em São Paulo é o Museu Brasileiro da Escultura, o MuBE que fica do lado do MIS. O prédio, em concreto aparente, tem áreas abaixo do nível da calçada, o que proporciona um silêncio atípico na região e um desenho que lembra uma arena. O desenho do MuBE reafirma a especialidade de Mendes da Rocha de desenvolver soluções criativas, mas harmoniosas com a paisagem. Aliás, curiosidade: no MuBE tem um jardim projetado pelo Burle Marx (já falei dele aqui). […]

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