Cultura, Pintura

Picasso: mão erudita, olho selvagem

Fazia tempo que eu não passava pra indicar uma programação cultural, mas é que último semestre da faculdade monopoliza todo o tempo de uma pessoa. O fato é que voltei e as indicações também! Esses dias fui no Instituto Tomie Ohtake ver a exposição do Picasso que está lá desde o dia 22 de maio e fica até 14 de agosto… Ainda tem um mês!

A maioria das pessoas quando pensa em Pablo Picasso, logo pensa nas suas obras cubistas, mas o cubismo foi apenas uma das fases do francês que começou a pintar aos 7 anos e pintou até quase o dia da sua morte, aos 91 anos.

Croquis do figurino que Picasso desenhou para o balé Pulcinela em 1920

Croquis do figurino que Picasso desenhou para o balé Pulcinela em 1920

A exposição separa as 153 peças (parte do acervo do Museu Nacional Picasso-Paris) em fases e se você for com calma e ler todas explicações, é mais rico que uma aula de arte! Algumas fases exploradas na exposição:

O primeiro Picasso: formação e influências

Nessa fase, Picasso estudava na Escola de Belas Artes de La Coruña onde seu pai (também pintor e restaurador de obras de arte) era professor.

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L’homme à la casquette, Picasso pintou quando tinha apenas 14 anos.

Picasso Exorcista: as senhoritas de Avignon.

Foi aqui, em férias no litoral espanhol, que Picasso passou a dar um novo rumo para sua arte. Foi nessa fase que inicializou a revolução do cubismo e que passou a pintar quase que exclusivamente o corpo feminino. Foi nessa fase que ele começou a geometrizar as coisas.

Picasso Cubista: O Violão.

O Cubismo de Picasso é estudado em três partes: a cezanniana, a analítica e a sintética. O Violão é uma obra que está entre a segunda e a terceira parte. O instrumento, que era objeto de fetiche de Picasso, afirma o parentesco espiritual entre a pintura e a música.

O Violão, 1912

O Violão, 1912

Picasso Surrealista: As Banhistas.

De férias em Dinard entre 1928 e 1929, no litoral francês, com a mulher e o filho, Picasso deu início a uma fase surrealista. O que antes era forma, agora passa a pintar anatomias decompostas. A tela “As Banhistas” é um retrato dos encontros secretos, que foi inspirado pelas confusões que as férias desse verão trouxeram, pois sua amante Marie-Thèrése Walter também estava em Dinard.

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As Banhistas

Picasso Engajado: Guernica.

A partir de 1936, Picasso se envolve em projetos para desenvolvimento da arte e da cultura do governo da Frente Popular na França. É nesta fase que sua arte se engaja na luta política e contribui para a história contemporânea. Em 1937, na Exposição Universal, em Paris, ele pinta Guernica como reação da cidade basca ao bombardeio pela aviação nazista em 1937.

Registro fotográfico do processo de criação de Guernica, em 1937.

Registro fotográfico do processo de criação de Guernica, em 1937.

 

Grande Banhista com Livro, 1937

Grande Banhista com Livro, 1937

 

Mulher chorando, 1937

Mulher chorando, 1937

Picasso na resistência: Interiores e Vanitas.

Nessa fase, Picasso fica obscuro. Lida muito com o medo e a dor. Nessa fase Picasso sentiu-se ameaçado pelo governo, sofreu o luto pela morte de sua mãe e viveu momentos de muita angústia. Isso reflete-se em suas obras que passam a ter a morte como tema recorrente.

Gato com passarinho na boca (1939) e O Garoto e as Pombas (1943)

Gato com passarinho na boca (1939) e O Garoto e as Pombas (1943)

Picasso Múltiplo: A Alegria da Experimentação.

Nessa fase, verão de 1946, Picasso passa a se aventurar no mundo da escultura. Transitando entre materiais como argila e zinco, o artista talha animais como coruja e pomba à mão e esculpe vasos de barro. É a retomada da alegria na obra de Picasso, depois de um tempo obscuro. Algumas peças dessa época estão disponíveis na exposição em uma vitrine.

O Último Picasso: O Trunfo do Desejo.

Aqui Picasso escandaliza e passa a pintar telas explicitamente eróticas, a sexualidade passa a estar presente em sua obra quase como uma obsessão. Órgãos explícitos, cenas de orgia e sexo são pintados à exaustão em sua última fase criativa.

Tela Le Baiser, à esquerda.

Tela Le Baiser, à esquerda.

A exposição encerra com um autorretrato do artista feito apenas um ano antes de sua morte que soa quase amador, o que é muito irônico pra quem pintou L’homme à la casquette aos 14 anos.

Autorretrato: O jovem pintor, 1972

Autorretrato: O jovem pintor, 1972

Recomendo que quem puder, vá ver de perto! Tem muita coisa que não registrei pra não entregar tudo…

  • Instituto Tomie Ohtake – Rua Coropé, 88, Pinheiros
  • R$ 12,00 inteira / R$ 6,00 meia – entrada gratuita às terças-feiras
  • Abre de terça à domingo, das 11h às 20h (pode entrar até às 19h)

 

 

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