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fast fashion

M. B.

Eu quero uma slow-life

11263265_1061355110559963_1844249895_nComeçamos a nos questionar a onda de fast-fashion recentemente, fast-food já vem sendo apedrejado há mais tempo… Estamos na onda de apostar no slow-fashion por uma moda mais sustentável, mais consciente, mais humana e mais responsável. Levantamos a bandeira da slow-food por uma alimentação mais saudável, menos cancerígena, por uma população com menores índices de obesidade e problemas de saúde. Tudo isso é de extrema importância, mas quando vamos parar para falar de uma slow-life?

Até quando a gente vai correr? Quando as urgências vão diminuir? Em era de whatsapp, ninguém tem mais tempo pra pensar, pra refletir, pra se organizar antes de escrever, tem que responder logo, tem que responder agora. Antes a gente tinha paciência pra esperar uma carta chegar. Hoje,  se um e-mail demora mais de uma hora sem resposta, é uma falta gravíssima! Eu quero desacelerar, quero me livrar da fast-life que me foi imposta, mas o mundo parece querer me atropelar. Será que a gente está com nosso senso de urgência apurado? De repente tudo virou urgente e concordam que quando tudo é urgente, nada é? Eu tenho pressa de desacelerar, minha pressa é a da calma. Quero poder pensar em uma coisa de cada vez, levar quanto tempo for pra fazer minhas coisas, quero respeitar o meu tempo sem que o mundo ao meu redor me imponha seu ritmo frenético.

A gente precisa mesmo ler todos os jornais? Conhecer todos os últimos lançamentos musicais? Acompanhar as fashion weeks do mundo todo? A gente precisa saber quem é a atriz da novela das 21h? Precisa estar por dentro de todos os memes da internet? Eu não quero precisar, eu não quero saber de tudo, eu não quero mais informação do que minha mente pode processar, eu quero calma pra assimilar o que acontece em minha volta, quero substituir a tensão pela serenidade. Nesse mundo super moderno, legal, atualizado e globalizado de hoje estamos consumindo mais antidepressivos que em qualquer outra época. Será que o mundo tá tão legal assim? Eu não quero só slow-fashion e slow-food, eu quero uma slow-life. Pode?

Filmes, Meio Ambiente, Moda

The True Cost: o barato que sai caro.

Rafael Benini Volpatto, meu primo, é formado em letras  e devorador de filmes e séries! Confio muito no gosto dele e nas sugestões que ele me dá… Pedi pra que ele falasse sobre algum filme aqui no blog, ele começou com “The True Cost“, um documentário que é um soco no estômago para boa parte da população mundial com o mínimo de bom senso. Me sensibilizei tanto que preciso falar sobre ele…

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Blusinha de R$39, vestido de festa por R$79, tudo tão lindo, tão acessível! Coleção nova quase toda semana, que paraíso! Na contra-mão da alta costura, as redes de fast-fashion estão cada vez mais populares, com preços cada vez menores e novas coleções cada vez mais frequentes. Realmente um paraíso pra nossa natureza capitalista, consumista e pra nossa eterna impressão de que não há nada no guarda-roupa, mas e o que há por trás disso?

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A gente precisa mesmo de uma sacola nova a cada ida ao shopping? A gente precisa mesmo de mil peças de roupa sem qualidade que só fazem volume no armário? A gente está comprando conscientemente ou impulsivamente? É preciso parar pra pensar.

O documentário foi lançado esse ano e já está no Netflix. Como se explicam os preços tão baixos e a velocidade com que novidades aparecem nas prateleiras das grandes redes? O que está por trás dessa cultura tentadora não é nada legal, não é nada humano.

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Condições de trabalhos precárias, jornadas exaustivas, salários mínimos que parecem piada. Aposentadoria? Licença maternidade? Direitos trabalhistas? Sindicatos? Nada disso. Bangladesh, Camboja, India e muitos outros países em desenvolvimento mantém seus trabalhadores em condições nada humanas. Pessoas trabalhando pra ganhar $10 por mês, pessoas morrendo no chão de fábrica pra que a gente possa, semana que vem, comprar mais uma peça que a gente não precisa por uma bagatela.

Isso não é tudo, para produzir tanta roupa, haja algodão. Algodão orgânico é raridade, as plantações não produzem na mesma velocidade que a indústria pede. Por isso, novos químicos e agrotóxicos cada vez mais fortes estão sendo usados na plantações. Produtos tão fortes que causam doenças físicas e mentais em populações de povoados onde o plantio é a principal atividade econômica. Nos preocupamos em não comer pimentões com agrotóxicos, mas vestimos roupas igualmente tóxicas e nosso maior órgão, a pele, está em constante exposição.

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Estou em processo de conscientização já há algum tempo, compro menos roupas, já deixei  até mesmo de entrar em lojas de fast fashion, justamente pra não correr o risco de cair em tentação. Se eu deixar de comprar 4, 5, 6 peças baratas e que não preciso, talvez possa comprar uma única com um corte melhor, de melhor qualidade e produzida em países com leis justas de trabalho. E quanto menos eu compro, menos lixo eu produzo. Uma alternativa que também amo e sou adepta é a de comprar de segunda mão, brechós podem ser um paraíso, cheio de tesouros e de peças praticamente exclusivas! Também raramente perco a oportunidade de ir em um bazar e acho a ideia de outlets muito bacana, não faz sentido que uma peça vire lixo no mundo por causa de um defeito mínimo ou porque é de uma coleção passada…

É uma cultura já consolidada, é difícil mudar, mas é preciso que a gente acredite no poder do indivíduo. Se eu mudar e conseguir ajudar algumas pessoas a repensarem o consumo e essas pessoas tentarem espalhar pros seus conhecidos e seus conhecidos para seus amigos, formamos uma corrente que pode, sim, mudar o mundo!

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Eu quero um mundo mais humano pros meus filhos, um mundo em que se pense nos seres vivos antes das coisas. Quero que meus filhos não sejam contaminados pelo consumismo impulsivo, quero que meus filhos sejam cidadãos conscientes e humanos.

Eu estou tentando mudar o mundo mudando minha consciência. E você?

Obrigada, primo, por essa indicação maravilhosa!