Tags de navegação

moda

Moda

Jum Nakao e “A Costura do Invisível”

“A costura do invisível” foi a coleção do Jum Nakao para o SPFW de 2004. Na época eu ainda morava no Rio Grande do Sul e cursava faculdade de moda, fiquei muitos dias impactada com esse desfile. Ali, talvez, tenha sido o início de um conflito que tenho com a moda que já me rendeu muitas e muitas horas de reflexões internas…Qual o real valor da moda, das roupas e sobre ser ou não ser a manifestação de arte que eu buscava. Porque a moda, pra mim, era pra ser arte antes de qualquer coisa, uma forma de expressão, mas qual a real relação do mundo com a moda?

Jum Nakao, 49 anos, brasileiro, designer e diretor de criação.

Jum Nakao, 49 anos, brasileiro, designer e diretor de criação.

Eu não sou uma consumidora frenética do mercado da moda, eu não consumo nem roupas e nem informações suficientes do mercado, mas gosto do assunto, só não consigo – e nem quero – acompanhar e nem concordar com o ritmo frenético das coisas, prefiro que seja mais slow, mais humano. Com o tempo, vou dividindo aqui com vocês o que me prende a atenção e me marca nesse mundo (na tag de moda já tem algumas coisas). Esse desfile já foi há 12 anos, mas as coisas que nos marcam são atemporais e não têm prazo de validade.

Print

Foram mais de 700 horas de trabalho, picotadas pelas próprias modelos em alguns poucos minutos na passarela. Essa é uma forma de materializar e ilustrar de forma muito real a efemeridade da moda. Foram 182 dias de muito trabalho e muito segredo. No dia 19 de junho de 2004, as modelos entravam na passarela com trajes e adornos inspirados na moda do século XIX num trabalho extremamente delicado e encantador.

Na entrada final, a que todas as modelos entram juntas com seus modelos desfilados individualmente, todas elas se posicionaram diante do público de mais de 1000 pessoas e em uma reviravolta sonora, elas rasgaram toda a obra de arte que vestiam e assim, naquele momento, marcaram a moda brasileira pra sempre. Foi a forma que Nakao encontrou de protestar contra o consumismo exagerado, desnecessário e avassalador. O público ficou estarrecido diante daquela manifestação de raiva e tristeza. Inesquecível!

costurainvisivel_cover

Foi meia tonelada de papel vegetal milimetricamente entalhados manualmente pra simular renda. As modelos desfilaram com perucas iguais às dos bonecos playmobil – o que também ajudou a provocar um contraste intrigante. O nome do desfile – que mais foi uma performance – foi intitulado “A Costura do Invisível”. Com essa obra Nakao recebeu o título de desfile da década do SPFW e foi considerado um dos maiores do século pelo Museu de Moda da França.

collage

Essa história foi tão forte que virou um DVD lançado em 2011. Nele é possível ver a tensão, os bastidores, o desfile, depoimentos… Ao ser questionado se foi um exercício de desapego ver sua obra sendo liquidada na frente dos seus olhos, ele não hesita em dizer que não tinha apego por aquele trabalho e aquelas peças. O objetivo era provocar o choque, o questionamento. Até hoje esse episódio é citado em salas de aula do país inteiro. Achei o desfile no YouTube, vale a pena parar e assistir:

Uma pena que episódios assim sejam tão raros. É inquietante essa cultura do consumo desenfreado, mais pessoas deveriam estar gritando pra chamar atenção pra esse fato. Respeito eterno por Jum Nakao desde junho de 2004.

Moda

Os ícones da moda dos anos 60

Eu estudei moda, sou modelo há muitos anos, sou designer de joias… Isso tudo transita mais ou menos pelo mesmo meio da moda, mas uma parte de mim questiona tantas coisas nesse universo que acabo evitando de produzir conteúdo sobre ele. No entanto, a história da moda é, pra mim, uma das partes mais legais disso tudo, por isso resolvi expor uma das minhas décadas favoritas com vocês: a de 60! Acho que muito já se conclui só se a gente olhar pros principais ícones da épca: Twiggy, Jane Birkin, Audrey Hepburn, Catherine Denueve, Brigitte Bardot, entre muitas outras. Só por elas a gente já consegue ver o peso dessa década!

twiggy

Twiggy, a personificação da década de 60

Muito estilo próprio, cabelos curtos, atitude forte… As mulheres estavam galgando seu espaço na sociedade e falavam muito através da moda. As saias encurtaram, alguns cabelos também, a moda nos anos 60 era não seguir mais a moda. As calça entraram de vez no armário feminino. Os ícones transitavam nos mais diferentes estilos e era a época de consagrar a moda como umas das principais formas de expressão e de liberdade. Foi uma década de muita força feminina.

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

Françoise Hardy

Françoise Hardy

Catherine Deneuve

Catherine Deneuve

Jane Birkin

Jane Birkin

O icônico tubinho de YSL inspirado nos quadros de Mondrian também é fruto dos anos 60.

O icônico tubinho de YSL inspirado nos quadros de Mondrian também é fruto dos anos 60.

Nos anos 60 o rock imperou! O que ajudou muito na atmosfera rebelde da época. No Brasil, era o auge da Jovem Guarda. O conceito deu espaço pro estilo e a alta-costura estava perdendo espaço. Os anos 60 mudaram a forma como o mundo via a moda e essa mudança foi o início de uma grande transformação que testemunhamos até os dias de hoje.

Wanderléa

Wanderléa

O mundo se transformou a partir da década de 60, a música nunca mais foi a mesma depois de Elvis e Beatles, supostamente foi nessa década que pisamos na lua, foi na década de 60 que enfrentamos a ditadura no Brasil, na década de 60 conhecemos a minissaia. Ufa! Queria estar lá pra ver e sentir…

Filmes, Meio Ambiente, Moda

The True Cost: o barato que sai caro.

Rafael Benini Volpatto, meu primo, é formado em letras  e devorador de filmes e séries! Confio muito no gosto dele e nas sugestões que ele me dá… Pedi pra que ele falasse sobre algum filme aqui no blog, ele começou com “The True Cost“, um documentário que é um soco no estômago para boa parte da população mundial com o mínimo de bom senso. Me sensibilizei tanto que preciso falar sobre ele…

truecost

Blusinha de R$39, vestido de festa por R$79, tudo tão lindo, tão acessível! Coleção nova quase toda semana, que paraíso! Na contra-mão da alta costura, as redes de fast-fashion estão cada vez mais populares, com preços cada vez menores e novas coleções cada vez mais frequentes. Realmente um paraíso pra nossa natureza capitalista, consumista e pra nossa eterna impressão de que não há nada no guarda-roupa, mas e o que há por trás disso?

Capture-d’écran-2015-07-06-à-07.46.30-1024x572

A gente precisa mesmo de uma sacola nova a cada ida ao shopping? A gente precisa mesmo de mil peças de roupa sem qualidade que só fazem volume no armário? A gente está comprando conscientemente ou impulsivamente? É preciso parar pra pensar.

O documentário foi lançado esse ano e já está no Netflix. Como se explicam os preços tão baixos e a velocidade com que novidades aparecem nas prateleiras das grandes redes? O que está por trás dessa cultura tentadora não é nada legal, não é nada humano.

Capture-d’écran-2015-07-06-à-07.46.26-1024x572

Condições de trabalhos precárias, jornadas exaustivas, salários mínimos que parecem piada. Aposentadoria? Licença maternidade? Direitos trabalhistas? Sindicatos? Nada disso. Bangladesh, Camboja, India e muitos outros países em desenvolvimento mantém seus trabalhadores em condições nada humanas. Pessoas trabalhando pra ganhar $10 por mês, pessoas morrendo no chão de fábrica pra que a gente possa, semana que vem, comprar mais uma peça que a gente não precisa por uma bagatela.

Isso não é tudo, para produzir tanta roupa, haja algodão. Algodão orgânico é raridade, as plantações não produzem na mesma velocidade que a indústria pede. Por isso, novos químicos e agrotóxicos cada vez mais fortes estão sendo usados na plantações. Produtos tão fortes que causam doenças físicas e mentais em populações de povoados onde o plantio é a principal atividade econômica. Nos preocupamos em não comer pimentões com agrotóxicos, mas vestimos roupas igualmente tóxicas e nosso maior órgão, a pele, está em constante exposição.

Capture-d’écran-2015-07-06-à-07.41.44-1024x572

Estou em processo de conscientização já há algum tempo, compro menos roupas, já deixei  até mesmo de entrar em lojas de fast fashion, justamente pra não correr o risco de cair em tentação. Se eu deixar de comprar 4, 5, 6 peças baratas e que não preciso, talvez possa comprar uma única com um corte melhor, de melhor qualidade e produzida em países com leis justas de trabalho. E quanto menos eu compro, menos lixo eu produzo. Uma alternativa que também amo e sou adepta é a de comprar de segunda mão, brechós podem ser um paraíso, cheio de tesouros e de peças praticamente exclusivas! Também raramente perco a oportunidade de ir em um bazar e acho a ideia de outlets muito bacana, não faz sentido que uma peça vire lixo no mundo por causa de um defeito mínimo ou porque é de uma coleção passada…

É uma cultura já consolidada, é difícil mudar, mas é preciso que a gente acredite no poder do indivíduo. Se eu mudar e conseguir ajudar algumas pessoas a repensarem o consumo e essas pessoas tentarem espalhar pros seus conhecidos e seus conhecidos para seus amigos, formamos uma corrente que pode, sim, mudar o mundo!

Capture-d’écran-2015-07-06-à-07.46.23-1024x576

Eu quero um mundo mais humano pros meus filhos, um mundo em que se pense nos seres vivos antes das coisas. Quero que meus filhos não sejam contaminados pelo consumismo impulsivo, quero que meus filhos sejam cidadãos conscientes e humanos.

Eu estou tentando mudar o mundo mudando minha consciência. E você?

Obrigada, primo, por essa indicação maravilhosa!

Moda

Alexander McQueen, um em um milhão

Um estilista nada convencional, Alexandre McQueen não fazia nada que não fosse pra chocar, suas roupas eram criadas pra serem muito mais . Era elogio se alguém dissesse que um desfile seu deu vontade de vomitar. Com mil problemas em sua vida pessoal, as passarelas refletiam seu lado sombrio, doente e desconstruído, personalidades exóticas e fortes como, David Bowie, Rihanna, Beyoncé, Bjork e Lady Gaga, tiveram modelos exclusivos desenhados por McQueen.

Quando era uma criança e costurava os vestidos para suas irmãs irem pra escola, nunca imaginou que tornaria-se um gênio para tantas pessoas no mundo da moda. Era um mau aluno na escola e largou os estudos aos 16 anos para trabalhar em uma alfaiataria de luxo em Londres, foi lá que ao longo de quatro anos, aprendeu muito do que seria sua marca registrada. Depois foi para Milão e trabalhou como assistente de Design, ao retornar pra Inglaterra, estudou na renomada  Central Saint Martins e, após sua coleção de conclusão de mestrado inspirada em “Jack, o estripador” em 1994, teve seu trabalho reconhecido. Foi sua amiga, Isabella Blow, que o descobriu e o lançou pro mundo fashion.

A mistura inusitada de elementos, referências, texturas e técnicas causou grande curiosidade das pessoas, muitos ainda não entenderam nem jamais vão entender sua obra. Sua maior referência sempre foi sua mente, seus conflitos e confusões, o resultado era um espetáculo novo na passarela a cada coleção. Uma estranheza que fascinava… Era criatividade que transbordava e a limitação dessa criatividade foi que tornou os 5 anos à frente da Givenchy uma relação extremamente conturbada, McQueen não suportava limites, não sabia e nem precisava lidar com eles.

A morte desse grande nome também foi precoce, aos 40 anos, em 2010. A causa nunca foi confirmada, mas o que mais se fala é em suicídio por enforcamento, McQueen foi encontrado morto um dia antes do funeral da sua mãe. A perda da mãe fez com que ele se afundasse em um quadro grave de depressão. Considerado a mente mais criativa da moda dos últimos tempos, a sua obra será eternizada, exposições e livros em sua memória já foram produzidos e sua audácia servirá de inspiração para muitos novos designers de moda que estão por vir, referência na alta costura, sem dúvida McQueen foi um em um milhão.

Alexander McQueen.

Alexander McQueen.

Está gostando do blog? Curte a página pra não perder nenhum post! 😉

M. B., Moda

Um fim de tarde listrado

347A9510

347A9574347A9537Todas as fotos por Junior Lima 🙂