Filmes, Meio Ambiente, Moda

The True Cost: o barato que sai caro.

Rafael Benini Volpatto, meu primo, é formado em letras  e devorador de filmes e séries! Confio muito no gosto dele e nas sugestões que ele me dá… Pedi pra que ele falasse sobre algum filme aqui no blog, ele começou com “The True Cost“, um documentário que é um soco no estômago para boa parte da população mundial com o mínimo de bom senso. Me sensibilizei tanto que preciso falar sobre ele…

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Blusinha de R$39, vestido de festa por R$79, tudo tão lindo, tão acessível! Coleção nova quase toda semana, que paraíso! Na contra-mão da alta costura, as redes de fast-fashion estão cada vez mais populares, com preços cada vez menores e novas coleções cada vez mais frequentes. Realmente um paraíso pra nossa natureza capitalista, consumista e pra nossa eterna impressão de que não há nada no guarda-roupa, mas e o que há por trás disso?

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A gente precisa mesmo de uma sacola nova a cada ida ao shopping? A gente precisa mesmo de mil peças de roupa sem qualidade que só fazem volume no armário? A gente está comprando conscientemente ou impulsivamente? É preciso parar pra pensar.

O documentário foi lançado esse ano e já está no Netflix. Como se explicam os preços tão baixos e a velocidade com que novidades aparecem nas prateleiras das grandes redes? O que está por trás dessa cultura tentadora não é nada legal, não é nada humano.

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Condições de trabalhos precárias, jornadas exaustivas, salários mínimos que parecem piada. Aposentadoria? Licença maternidade? Direitos trabalhistas? Sindicatos? Nada disso. Bangladesh, Camboja, India e muitos outros países em desenvolvimento mantém seus trabalhadores em condições nada humanas. Pessoas trabalhando pra ganhar $10 por mês, pessoas morrendo no chão de fábrica pra que a gente possa, semana que vem, comprar mais uma peça que a gente não precisa por uma bagatela.

Isso não é tudo, para produzir tanta roupa, haja algodão. Algodão orgânico é raridade, as plantações não produzem na mesma velocidade que a indústria pede. Por isso, novos químicos e agrotóxicos cada vez mais fortes estão sendo usados na plantações. Produtos tão fortes que causam doenças físicas e mentais em populações de povoados onde o plantio é a principal atividade econômica. Nos preocupamos em não comer pimentões com agrotóxicos, mas vestimos roupas igualmente tóxicas e nosso maior órgão, a pele, está em constante exposição.

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Estou em processo de conscientização já há algum tempo, compro menos roupas, já deixei  até mesmo de entrar em lojas de fast fashion, justamente pra não correr o risco de cair em tentação. Se eu deixar de comprar 4, 5, 6 peças baratas e que não preciso, talvez possa comprar uma única com um corte melhor, de melhor qualidade e produzida em países com leis justas de trabalho. E quanto menos eu compro, menos lixo eu produzo. Uma alternativa que também amo e sou adepta é a de comprar de segunda mão, brechós podem ser um paraíso, cheio de tesouros e de peças praticamente exclusivas! Também raramente perco a oportunidade de ir em um bazar e acho a ideia de outlets muito bacana, não faz sentido que uma peça vire lixo no mundo por causa de um defeito mínimo ou porque é de uma coleção passada…

É uma cultura já consolidada, é difícil mudar, mas é preciso que a gente acredite no poder do indivíduo. Se eu mudar e conseguir ajudar algumas pessoas a repensarem o consumo e essas pessoas tentarem espalhar pros seus conhecidos e seus conhecidos para seus amigos, formamos uma corrente que pode, sim, mudar o mundo!

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Eu quero um mundo mais humano pros meus filhos, um mundo em que se pense nos seres vivos antes das coisas. Quero que meus filhos não sejam contaminados pelo consumismo impulsivo, quero que meus filhos sejam cidadãos conscientes e humanos.

Eu estou tentando mudar o mundo mudando minha consciência. E você?

Obrigada, primo, por essa indicação maravilhosa!

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10 Comentários

  • Responder Jaqueline Machado 30 de setembro de 2015 at 21:27

    Mônica, que delícia seu blog!!! Eu q nunca comento, já estou aqui pela segunda vez… Rsrs Parece bobagem, mas depois q conheci seu blog me desapeguei, e muito, de vários q só vendem luxo e consumismo, opiniões nada sinceras, só mesmo pra vender certas marcas. Agora estou c um outro problema, viciada no seu blog amei o post, a princípio parece utópico, mas vc disse td, cada um de nós precisa mudar, o universo precisa e nos inspira a ser conscientes e responsáveis com todos os recursos, absurdo exploração de trabalho humano… Ctz q vou assistir, agradeça seu primo de tabela. Bjos!

    • Responder Mônica Benini 5 de outubro de 2015 at 22:10

      Oi, Jaqueline!
      Fico feliz que vc goste do meu espaço…pode ter certeza de que é tudo feito com muita verdade, e carinho! É um prazer enorme poder compartilhar td que me move.
      Seja sempre muito bem vinda aqui!

      Bjinhos!

  • Responder Roberta 2 de outubro de 2015 at 13:52

    Nossa, chocante! Eu que nunca tinha pensado sobre isso, já comecei a me conscientizar e devo um pouco disso a você, Monica. Mesmo parecendo pouco, acredito que devargazinho conseguiremos mudar o mundo.

    Muito obrigada! Estou amando seu blog!

    • Responder Mônica Benini 5 de outubro de 2015 at 21:55

      Que alegria, Roberta!
      Não tenha dúvidas…de passo em passo a gente muda!
      Volte sempre! E muito obrigada!
      <3

  • Responder Mari de Fortaleza 7 de outubro de 2015 at 11:38

    Só em estar disponível no Netflix já facilita muito minha vida. rsrsrs.
    Vou aproveitar o feriado pra assistir.
    Com a leitura já consegui enxergar o que está embaixo da ponta do iceberg. Por falta de conhecimento mesmo não me atentava a essas coisas.
    Mas o que sempre faço (sobre fazer minha parte) é antes de consumir novos produtos, trocar roupas usadas entre amigas.
    Eu faço isso com frequência. E outras já faço uma doação ou pra moradores de rua ou pessoas carentes do sertão do Ceará.

  • Responder Nathali 10 de outubro de 2015 at 12:44

    Mônica,
    conheci o seu blog há pouco tempo, mas preciso dizer que estou apaixonada. Você mostra ser uma pessoa que deve dar prazer em ter ao lado, que ensina, que conscientiza, que passa o valor real das coisas. Uso muito do você diz aqui para o meu dia-a-dia. É lindo ter coisas, como as que você escreve, para ler. Deixa o dia mais leve! E é preciso lhe agradecer, pela tentativa de nos tornar pessoas melhores.

    Um beijo e muita luz no seu caminho!

  • Responder Michelle 17 de outubro de 2015 at 18:58

    Olä Mônica, tudo bem?
    Primeira vez que visito seu site e já me deparo com um assunto tão importante, e com o qual venho me preocupando bastante nos últimos dias.
    Sou consumidora compulsiva assumida e já estava incomodada com isso, deixou de ser uma questão pessoal de descontrole do próprio orçamento, passando a ser um assunto de responsabilidade socio-ambiental. Como chegamos a esse ponto? Pior do que isso, até onde isso vai? Com quantas redes/lojas ainda vamos nos surpreender?
    Ainda não vi o documentário e, certamente, irei assistir.
    Obrigada pela dica!

    Um abraço, Michelle

  • Responder Ludmila Rattes 28 de outubro de 2015 at 22:55

    Oi Mônica,
    Muito lindo seu blog, estou encantada com a forma que escreve, é nítida a sinceridade das suas palavras. Me identifico muito com seus “pensamentos orgânicos”. Venho reconstruindo minha forma de consumo há algum tempo, e sei que muita coisa precisa de mudança. Parece quase impossível ou inatingível, mas sei que o primeiro passo e mudar nossa atitude, isso acaba influênciando os que vivem ao nosso redor, trabalho de formiguinha.

    Boas energias

  • Responder Daniela Vicentin 17 de novembro de 2015 at 16:58

    Ótima leitura! Com certeza o consumismo vem prejudicando o mundo como um todo.
    Parabéns pelo texto.
    Beijos

  • Responder Mundo minimalista blog 22 de janeiro de 2016 at 16:15

    Adorei o texto!
    Eu postei seu texto no meu blog e deixei o link do seu site lá.Se não concordar me avise que eu retiro…
    Estou começando meu blog agora,se quiser visitar é:
    https://mundominimalistablog.wordpress.com/

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